A síndrome do intestino irritável (SII) é uma condição crônica caracterizada por dor ou desconforto abdominal recorrente associado a alterações nos hábitos intestinais. Geralmente, quando os exames não detectam nada de errado no intestino, os médicos investigam a possível existência da síndrome1.
O diagnóstico clínico da doença é baseado no histórico de saúde e sintomas. Por isso, muitas vezes uma pessoa pode viver por anos com SII sem saber que tem o problema1.
Como é uma condição crônica, ou seja, sem cura, o que se pode fazer é reduzir ao máximo as manifestações desagradáveis e melhorar a qualidade de vida por meio de tratamentos clínicos e mudanças de estilo de vida e alimentação1.
Quer saber quais são os sintomas da síndrome do intestino irritável? Continue a leitura e conheça as principais causas, formas de tratamento, o que fazer quando o intestino está irritado, o papel dos probióticos no controle dos sintomas e quanto tempo o quadro pode durar.
Resumo
- A síndrome do intestino irritável (SII) é um distúrbio que altera as interações entre intestino e cérebro7.
- Os principais sintomas do quadro são: dor abdominal recorrente e alterações nos hábitos intestinais, como constipação, diarreia ou a combinação de ambas7.
- O tratamento da doença pode incluir medicamentos para controle da dor, como antiespasmódicos e anticolinérgicos, além de suplementos probióticos6.
- Os hábitos que mais contribuem para o controle da síndrome são: equilibrar os alimentos FODMAPs na dieta, incluir mais fibras, praticar exercícios e fazer acompanhamento psicológico4-6.
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Boa leitura!
O que é síndrome do intestino irritável (SII)?
É uma alteração funcional na musculatura lisa do intestino, que provoca a contração excessiva dos músculos de forma constante. Ou seja, a SII muda o funcionamento intestinal. Essa condição afeta cerca de 12% a 15% das pessoas em todo o mundo, tanto homens quanto mulheres1,2.
O surgimento e a evolução da SII ainda não são totalmente compreendidos. Por isso, o tratamento foca o alívio dos sintomas mais incômodos, com mudanças no estilo de vida, uso de medicamentos e apoio psicológico7.
Essa abordagem se explica porque a síndrome é um problema crônico relacionado à forma como o intestino funciona, sem alterações visíveis na estrutura do sistema digestivo que possam ser detectadas em exames1.
Por isso, o diagnóstico é feito com base nos sintomas da síndrome do intestino irritável que o paciente relata ao médico durante a consulta1.
Quais são os sintomas da síndrome do intestino irritável?
Dor abdominal recorrente, em média, uma vez por semana nos últimos três meses e acompanhada de dois ou mais dos seguintes critérios: alteração do padrão de defecação, da frequência das evacuações ou do formato das fezes. Em geral, as pessoas com essa condição apresentam diarreia e/ou constipação3,7.
A dor abdominal é essencial para o diagnóstico da síndrome, pois os subtipos são definidos conforme os padrões de evacuação descritos na Escala de Bristol7:
- SII com constipação predominante (SII-C): predominância dos tipos de fezes 1 ou 2;
- SII com diarreia predominante (SII-D): predominância dos tipos de fezes 6 ou 7;
- SII com hábitos intestinais mistos (SII-M): alternância entre os tipos de fezes 1 ou 2 e 6 ou 7;
- SII não classificada (SII-U): não se enquadra nos subtipos anteriores.
Entre esses, a SII-D é o subtipo mais comum, representando cerca de 30% a 40% dos casos diagnosticados.
Tipos de fezes e suas características segundo a Escala de Bristol8.
[Alt tag imagem interna: Tabela da Escala de Bristol para diagnóstico da síndrome do intestino irritável.]
Outros sintomas considerados importantes para o diagnóstico da síndrome do intestino irritável são4:
- perda de peso não intencional;
- evidência de sangramento gastrointestinal;
- anemia;
- náuseas e vômitos recorrentes.
Leia também: Tipos de fezes: guia completo para entender sua saúde intestinal.
O que causa a SII?
A síndrome do intestino irritável (SII) é uma condição multifatorial, ou seja, pode estar relacionada a diferentes fatores. Os mais comuns são1:
- problemas emocionais, como estresse e ansiedade;
- disfunções musculares do sistema digestivo;
- alterações na microbiota intestinal;
- fatores genéticos.
O estresse físico e emocional é um importante fator de risco para o desenvolvimento da síndrome. Distúrbios psicológicos, como depressão, ansiedade e somatização, também podem agravar os sintomas7.
Além disso, pessoas com SII apresentam uma relação mais forte entre o estresse percebido e o agravamento das alterações gastrointestinais do que indivíduos saudáveis7.
Pesquisas mostram que transtornos depressivos e de ansiedade aumentam o risco de surgimento da doença. Da mesma forma, a síndrome e a dispepsia funcional (indigestão crônica) elevam a probabilidade de desenvolver esses transtornos7.
Essa interação demonstra uma conexão bidirecional entre o cérebro e o intestino. Por exemplo, o estresse emocional influencia diretamente a motilidade gastrointestinal e intensifica os sintomas da SII, por interferir na comunicação entre os órgãos7.
Por outro lado, mudanças na microbiota intestinal, o aumento da permeabilidade da mucosa e a inflamação de baixo grau provocadas pela síndrome podem sensibilizar os neurônios responsáveis pela transmissão de sinais entre o intestino e o sistema nervoso central, o que contribui para o agravamento do quadro7.
Esse desequilíbrio também afeta os níveis de neurotransmissores e hormônios, como a serotonina e o hormônio liberador de corticotrofina, que regulam tanto o funcionamento intestinal quanto as respostas do corpo ao estresse, o que favorece o aparecimento dos sintomas7.
Agora que você conhece os fatores de risco e como influenciam a atividade intestinal, é fundamental entender quanto tempo dura a síndrome do intestino irritável. No próximo tópico, explicamos o comportamento da doença.
Leia também: Flora intestinal desregulada: conheça as causas, os sintomas e os tratamentos
Quanto tempo dura a síndrome do intestino irritável?
A síndrome do intestino irritável é uma condição crônica, ou seja, não tem cura. Após o diagnóstico, a pessoa convive com a doença de forma contínua, seguindo o tratamento indicado para aliviar os sintomas, controlar os fatores de risco e manter a qualidade de vida1.
Os períodos de crise podem durar de alguns dias a várias semanas ou até meses. A duração e a intensidade variam de pessoa para pessoa, pois o quadro é influenciado por fatores, como estresse, alimentação e eficácia das estratégias de controle1.
Embora os sintomas sejam irregulares, o protocolo adequado ajuda a reduzir a frequência e a intensidade das crises1.
Por isso, os tratamentos para síndrome do intestino irritável devem ser sempre orientados por um médico, que define as recomendações e indica o uso de medicamentos e suplementos capazes de auxiliar o funcionamento intestinal com segurança.
Quais são os tratamentos para síndrome do intestino irritável?
Os protocolos de tratamento da SII podem incluir o uso de medicamentos para dor, probióticos e mudanças na alimentação, além de acompanhamento psicológico para o manejo do estresse e de outros transtornos emocionais. Os cuidados variam conforme o perfil de cada pessoa para aliviar os sintomas predominantes em cada caso7.
Uma dúvida comum sobre a síndrome é como chegar ao diagnóstico, já que seus sinais podem se confundir com os de outras doenças intestinais7.
O histórico de dor abdominal recorrente é o principal indicador. Por isso, é essencial que o paciente relate as características das crises, a frequência dos episódios e há quanto tempo o sintoma surgiu7.
Esse padrão, associado a mudanças no ritmo intestinal e alterações na forma ou frequência das fezes, são informações complementares que ajudam a confirmar o diagnóstico, principalmente quando há outros sintomas relacionados7.
Principais exames para diagnóstico
Se houver sinais de alarme, como sangramento, perda de peso, diarreia noturna, anemia ou histórico familiar de câncer colorretal, é fundamental realizar exames adicionais, como a colonoscopia, para descartar doenças orgânicas7.
Os exames laboratoriais, como os de sangue e fezes, especialmente a dosagem de calprotectina fecal, também auxiliam na diferenciação entre a SII, as doenças inflamatórias intestinais e outras condições do trato digestivo7.
Com base nesses resultados, o médico define o tratamento mais adequado. O protocolo pode ser ajustado ao longo do tempo, conforme a resposta do paciente7.
Por isso, acompanhar a evolução dos sintomas e dar feedback ao profissional é fundamental para identificar o que funciona melhor e investigar eventuais sinais persistentes7.
O que fazer com o intestino irritado?
Embora não tenha cura, a SII pode e deve ser tratada. As medidas mais recomendadas incluem readaptar a dieta com a exclusão dos FODMAPs, fazer acompanhamento psicológico, usar medicamentos adequados e consumir suplementos de probióticos, que ajudam a manter a saúde digestiva e o equilíbrio da flora intestinal4-6.
A seguir, confira em detalhes cada orientação sobre o que fazer quando o intestino está irritado.
1. Readaptar a dieta
Muitas pessoas percebem piora dos sintomas após consumir certos alimentos, especialmente os carboidratos fermentáveis, como feijão, lentilha, couve-flor, cebola, iogurte e pães de fermentação natural4.
Por isso, é fundamental identificar e evitar os alimentos gatilhos para reduzir os desconfortos gastrointestinais. Em geral, recomenda-se seguir uma dieta com baixo teor de FODMAPs, dividida em três fases4:
- primeira fase: eliminação de alimentos ricos em FODMAPs (oligossacarídeos, dissacarídeos, monossacarídeos e polióis) durante quatro a seis semanas;
- segunda fase: reintrodução gradual desses alimentos;
- terceira fase: personalização da dieta em longo prazo, mantendo apenas os alimentos que não provocam sintomas.
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2. Reforçar o consumo de fibras solúveis
Como a síndrome altera o padrão de evacuação, o que pode causar diarreia ou constipação, é essencial que a dieta seja ajustada para melhorar esses quadros4.
Para quem sofre de constipação, incluir alimentos ricos em fibras pode ajudar a aliviar os sintomas. No entanto, é importante priorizar as fibras solúveis em água, como o psyllium, já que as fibras insolúveis podem aumentar a dor e o inchaço abdominal4.
Para quem tem diarreia, uma dieta BRAT, com alimentos e frutas, como banana, arroz branco, maçã sem casca, batata cozida e caldo de frango, ajuda a recuperar líquidos, vitaminas e eletrólitos perdidos após as evacuações líquidas4.
3. Fazer um acompanhamento psicológico
Cuidar da saúde mental é fundamental no tratamento da SII, já que essa condição pode estar relacionada ao estado emocional5.
Estudos mostram que períodos de estresse e ansiedade podem desencadear os sintomas. Por isso, o acompanhamento com um psicoterapeuta é uma das melhores opções5.
Assim, se as mudanças no intestino estiverem ligadas aos sentimentos e emoções, é possível tratar a causa dos sintomas5.
4. Utilizar os medicamentos indicados
Além do acompanhamento psicológico, o uso de medicamentos é importante no tratamento do distúrbio para aliviar a dor e o desconforto abdominal, os sintomas mais comuns6.
Os antiespasmódicos são comumente prescritos, pois atuam diretamente nos músculos do intestino, o que evita contrações excessivas. Já os anticolinérgicos podem ser recomendados para pacientes que manifestam sintomas após as refeições6.
Esses medicamentos ajudam a reduzir os desconfortos e devem ser tomados de 30 a 60 minutos antes de comer6.
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5. Mudar o estilo de vida
As adaptações no estilo de vida ajudam a melhorar o controle dos sintomas da SII. A prática regular de atividade física é uma das principais medidas, pois favorece o funcionamento do intestino e o equilíbrio geral do organismo9.
Estudos indicam que, quando associada a uma boa higiene do sono, essa rotina contribui para reduzir desconfortos frequentes, como dor abdominal, cólicas e inchaço9.
Essas estratégias simples e não farmacológicas são consideradas intervenções de primeira linha, o que promove o bem-estar e a qualidade de vida em longo prazo9.
Além dessas dicas, o uso de suplemento probiótico para síndrome do intestino irritável é outra medida de apoio incluída no tratamento. Confira os benefícios da inclusão do suplemento na rotina.
Quais são os benefícios do probiótico para síndrome do intestino irritável?
O consumo regular de probióticos pode trazer diversos benefícios no tratamento da SII, já que esses suplementos contêm bactérias vivas que ajudam a equilibrar a flora intestinal. Como muitos casos da síndrome estão ligados a um desequilíbrio nesse ecossistema, a suplementação é uma recomendação médica frequente6.
Pesquisas indicam que os probióticos também podem contribuir para o alívio dos sintomas principais, o fortalecimento do sistema imunológico, a redução de processos inflamatórios e a melhora da composição da microbiota intestinal6.
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A síndrome do intestino irritável exige cuidados contínuos com a saúde intestinal e o equilíbrio do organismo.
Por isso, é importante ficar atento a alterações persistentes nos hábitos intestinais e buscar orientação médica para garantir um tratamento adequado e mais qualidade de vida.
Nesse processo, Tamarine Probium pode ser um grande aliado. O probiótico diário contribui para o equilíbrio da flora intestinal, além de fortalecer a imunidade e proteger o organismo10.
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Sobre o autor
Dr. Márcio de Queiroz Elias
Trabalha na indústria Farmacêutica desde os anos 2000, vindo a atuar nas áreas de Saúde Feminina, Consumer Health, Clínica Geral, Pediatria, Dor e Inflamação, Reumatologia, Similares e genéricos.
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