Falar sobre os tipos de cocô infantil pode dar pano pra manga, principalmente entre os pais de primeira viagem e cuidadores que, ao se depararem com qualquer alteração nas fezes da criança, ficam preocupados.
Apesar de ser comum observar variações no tamanho, cor e consistência em um mesmo dia em bebês, o natural é que o cocô tome forma à medida que a criança cresce, assemelhando-se ao de um adulto1.
Ainda assim, isso não significa que as fezes terão sempre a mesma aparência. Por isso, conhecer as alterações “normais” e as preocupantes e como deve ser um cocô de uma criança saudável é imprescindível.
Tem dúvidas sobre como saber se o cocô da criança está bom? Continue a leitura e conheça as características das fezes infantis, os principais tipos, os sinais de alerta e os cuidados ao usar remédio para ressecamento ou amolecedor de fezes infantil.
Resumo
- O cocô da criança deve ser firme, homogêneo, macio e com cor marrom, além de ser fácil de eliminar1.
- Os principais tipos de coco infantil são: duro (tipo 1 e 2), formado (tipo 3 e 4), solto (tipo 5) e líquido (tipo 6 e 7)2.
- Quando a frequência, cor, textura, consistência e odor das fezes da criança mudam, pode ser preocupante. Por isso, observe as alterações no padrão da evacuação1.
- Ao observar o intestino preso ou diarreias persistentes, busque orientação médica para fazer exames e, se necessário, usar um remédio para ressecamento de fezes infantil1.
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Boa leitura!
Como deve ser o cocô da criança?
Ao observar as fezes da criança, dois aspectos merecem atenção: coloração e consistência. As primeiras evacuações são moles e pretas, bem escuras. Depois, têm uma coloração amarelada ou amarelo-esverdeada, se o bebê tomar fórmula. Após a introdução alimentar, a cor muda para marrom e a consistência é firme1.
Os primeiros cocôs de um bebê, chamados de mecônio, são preto-escuros devido ao acúmulo de células de pele, muco e líquido amniótico1.
Depois, as fezes passam a ter uma coloração amarelada. Os menores que utilizam fórmula alimentar podem apresentar fezes amarelo-esverdeadas1.
Somente quando a criança inicia a ingestão de alimentos sólidos é que o cocô começa a se parecer com o de um adulto, de cor marrom1.
Os tipos de cocô infantil geram muitas dúvidas, especialmente durante os primeiros anos de vida, em que as trocas de fraldas são constantes. Em um mesmo dia, é possível se deparar com fezes completamente diferentes1.
A boa notícia para os pais é que as alterações diárias são normais em bebês, principalmente nos recém-nascidos1.
Quais são as principais mudanças no intestino durante o desenvolvimento infantil?
Durante o aleitamento materno, as evacuações variam bastante e as fezes são pastosas e macias. Com fórmula, tendem a ser menos frequentes e mais firmes. Na introdução alimentar, o trânsito intestinal oscila até a adaptação aos alimentos sólidos, o que exige atenção à hidratação e ao consumo adequado de fibras11.
Nos primeiros meses, os bebês em aleitamento materno exclusivo podem apresentar grande variação no padrão intestinal. As evacuações podem ocorrer várias vezes ao dia ou ficar espaçadas por dias, desde que as fezes tenham consistência pastosa e a criança esteja bem e ganhando peso adequadamente11.
Já os bebês que usam fórmula geralmente têm evacuações menos frequentes. Por isso, pode haver maior tendência à constipação, especialmente em mudanças de fórmula ou preparo inadequado11.
A introdução alimentar, por volta dos seis meses, é uma fase de grande mudança intestinal. Isso porque a inclusão de sólidos altera o trânsito e a consistência das fezes, causando oscilações como constipação ou fezes mais amolecidas enquanto o organismo se adapta11.
Nessa fase, a hidratação adequada e uma alimentação equilibrada com fontes de fibras ajudam a manter o funcionamento intestinal regular11.
Incidência de constipação em crianças
Segundo a Sociedade Brasileira de Pediatria, 95% dos episódios de constipação na infância não têm relação com doenças orgânicas. Geralmente, a causa é funcional. Ou seja, intestino mais lento associado a uma dieta com poucas fibras e/ou pouca água7.
Como sobram 5%, saber como deve ser o cocô da criança ajuda a saber quando essas alterações indicam problemas de saúde1-7.
A seguir, mostramos as variações na consistência dos tipos de cocô infantil, segundo a Escala de Bristol, e qual é a ideal no dia a dia2.
Mas, já adiantamos: o cocô de criança não deve ser mole ao ponto de escorrer (característica da diarreia), nem muito ressecado (indicando constipação intestinal)2.
Quais são os tipos de cocô infantil?
A referência para avaliar as evacuações infantis é a Escala de Bristol, que apresenta sete tipos de fezes comuns a adultos e crianças. Os principais são: cocô duro (tipo 1 e 2), cocô formado (tipo 3 e 4), cocô solto (tipo 5) e cocô líquido (tipo 6 e 7)2.
Essa escala é o indicativo usado por profissionais da saúde para entender como está a saúde intestinal do paciente. Por isso, é essencial que pais e cuidadores conheçam a referência para identificar um cocô infantil saudável2.
Confira as características de cada um dos tipos de cocô infantil, conforme os critérios da escala2.
1. Cocô em bolinhas
As fezes separadas em pequenas bolinhas duras e ressecadas são o tipo de cocô infantil mais difícil de expelir, pois causam dor ao evacuar. Além disso, podem indicar um quadro de constipação intestinal grave2.
2. Cocô duro com bolinhas juntas
Esse tipo de cocô é duro, com formato longo e bolinhas aglomeradas, diferente do tipo 1, em que as bolinhas são separadas. O formato também é difícil de expelir, mas, por ser menos rígido, indica uma constipação mais leve2.
3. Cocô formado com fissuras
É o tipo de cocô infantil considerado mais saudável. As fezes têm o mesmo formato do tipo 2, mas, em vez de bolinhas, têm rachaduras e fissuras. Essa aparência se assemelha à de uma espiga de milho ou salsicha2.
4. Cocô formado homogêneo
O número 4 é outro tipo de cocô classificado como saudável. A diferença em relação ao terceiro é que não há fissuras no comprimento. As fezes apresentam uma textura lisa e homogênea, além de serem macias e fáceis de eliminar2.
5. Cocô solto ou despedaçado
As fezes soltas são parecidas com o cocô em bolinhas. Porém, não são moldadas e saem em pedaços moles, mas ainda consistentes. Por isso, não há dificuldade para expelir, pois são macias2.
6. Cocô pastoso
O cocô pastoso tem uma consistência semilíquida e coloração mais clara que o normal. Esse tipo pode indicar o início de um quadro de diarreia2.
7. Cocô líquido
Por fim, o cocô líquido é a principal característica de uma diarreia severa. Nesse tipo, as fezes não têm nenhuma parte sólida. O principal risco do quadro é a desidratação e o desequilíbrio de eletrólitos2.
Confira na imagem a seguir os sete tipos de cocô infantil representados com base na Escala de Bristol2.
Fonte: Escala de Bristol.
Qual é a consistência ideal, segundo a Escala de Bristol infantil?
Apesar de as alterações nas fezes serem comuns na infância, é importante saber que o cocô infantil saudável deve ser do tipo 3 ou 42. Por isso, conhecer a escala e as características das fezes ajuda a saber quando o cocô da criança é preocupante.
Confira, a seguir, quais características são sinais de alerta e o que fazer ao identificá-las.
Quando o cocô da criança é preocupante?
Além da alteração na cor e na consistência das fezes, um fator que pode ser preocupante no cocô da criança é a frequência das evacuações1. O ideal, para aquelas que já comem comida, é ir ao banheiro pelo menos duas vezes por semana e, no máximo, três vezes ao dia3,4.
Menos que esse limite pode ser considerado um quadro de constipação, e mais de três evacuações diárias, de fezes pastosas ou líquidas, pode indicar uma diarreia3,4.
Vale destacar que essa referência não vale para os bebês que tomam apenas leite materno ou fórmulas1.
Portanto, para saber quando o cocô da criança é preocupante, observe as quebras no padrão de evacuação e as variações de cor, textura, consistência e odor1.
Ou seja, se a criança está acostumada a ir ao banheiro todos os dias, mas, de uma hora para outra, passa a ir somente uma ou duas vezes na semana, é um sinal de alerta1.
Assim, diante de qualquer alteração, seja uma diarreia ou prisão de ventre, o indicado é acionar o pediatra para obter orientações confiáveis1.
Entenda, a seguir, o que o cocô em bolinhas pode indicar e por que esse formato merece atenção.
É normal a criança fazer cocô de bolinha?
O cocô nesse formato não é considerado normal, pois geralmente indica constipação intestinal. Quando a evacuação demora, o bolo fecal perde água, resseca e endurece, o que dificulta sua eliminação. Por isso, o momento da evacuação desse tipo de cocô infantil causa dor e desconforto7.
A prisão de ventre é um quadro frequente, especialmente entre crianças em fase pré-escolar. Cerca de 10% das menores de seis anos apresentam o problema, que pode estar relacionado a fatores funcionais ou psicológicos, segundo a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP)7.
Observar o ritmo intestinal é essencial e deve ser comunicado aos cuidadores. Afinal, uma criança com trânsito intestinal mais lento, que consome poucas fibras e não ingere água suficiente, tende a apresentar dificuldade para evacuar7.
Por essa razão, não é normal a criança fazer cocô de bolinha. Ao perceber esse sinal, procure orientação médica para ajustar a hidratação na infância e a alimentação, priorizando frutas, legumes e cereais integrais, que favorecem o funcionamento intestinal7.
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Quais são os sintomas da constipação em crianças?
Os sinais de intestino preso são12:
- ficar sem evacuar por dois a três dias;
- eliminar fezes duras ou sentir dor ao evacuar;
- fezes volumosas que podem entupir o vaso sanitário;
- presença de pequenas gotas de sangue nas fezes;
- irritabilidade, choro e esforço excessivo ao tentar evacuar, indicando desconforto intestinal.
Diante desse cenário, os cuidados devem ser redobrados. Isso porque forçar a criança a evacuar nessas condições pode resultar em fissura anal infantil, que são pequenos cortes na mucosa do ânus causados pelo esforço excessivo quando as fezes estão endurecidas12.
Esse ferimento faz com que a criança retenha as fezes de forma voluntária, criando um círculo vicioso que piora a constipação12.
A seguir, entenda quando o amolecedor de fezes pode ser indicado para ajudar no tratamento da prisão de ventre em crianças, evitando desconfortos na evacuação.
Leia também: Meu filho prende as fezes: o que fazer? 7 dicas
Quando usar um amolecedor de fezes infantil?
Um agente amolecedor é indicado em situações nas quais a criança apresenta dificuldade para evacuar ou sinais de constipação persistente. O uso deve sempre ser avaliado por um profissional de saúde, que definirá o tipo e a dose adequados conforme a idade e o quadro clínico8.
O amolecedor de fezes infantil costuma ser recomendado nas seguintes situações8:
- fezes endurecidas e evacuação dolorosa: ocorre quando a criança precisa fazer força para evacuar, pois as fezes estão ressecadas, o que causa dor e desconforto;
- intestino preso de forma contínua: mesmo após ajustes na alimentação e hidratação, o trânsito intestinal permanece lento e a evacuação não ocorre com regularidade;
- prevenção de novos episódios de prisão de ventre: em alguns casos, o laxante infantil pode ser utilizado temporariamente para evitar recorrências e manter o funcionamento intestinal equilibrado.
⚠️ Importante: o uso de amolecedor de fezes infantil deve ser orientado pelo pediatra, que avaliará a causa da constipação, a saúde intestinal e as necessidades específicas da criança. O tipo de produto e a dosagem variam conforme cada caso8.
Como usar o coletor de fezes infantil?
Para usar o coletor infantil corretamente, siga esse passo a passo9:
1. Limpe o assento do vaso sanitário com álcool;
2.Abra a embalagem e encaixe o coletor sobre o vaso;
3. Ajuste o formato conforme necessário e coloque a criança para evacuar;
4. Abra o frasco coletor e, com a espátula, retire uma pequena amostra das fezes;
5. Remova o coletor e descarte o restante dos resíduos no vaso sanitário.
Esse tipo de coletor de fezes infantil se encaixa facilmente no vaso sanitário para que a criança evacue sentada, com mais conforto e higiene. Assim, a amostra para exames laboratoriais é obtida com segurança9.
O exame de fezes serve para identificar infecções intestinais, causadas por bactérias, vírus, fungos ou parasitas, detectar sangramentos gastrointestinais, avaliar doenças inflamatórias intestinais e investigar alterações na absorção de nutrientes9.
Além disso, o teste contribui para a investigação e o diagnóstico de distúrbios digestivos, que provocam sintomas como dor abdominal, cólicas e diarreia9.
Quais são os cuidados ao usar remédio para constipação em criança?
Antes de administrar esse tipo de medicamento à criança, consulte o pediatra e siga a prescrição quanto ao tipo e à dose. Mantenha a hidratação adequada, acompanhe a evolução dos sintomas e estimule uma alimentação rica em fibras, que favorece o funcionamento do intestino e ajuda a aliviar a constipação10.
Entenda por que é importante seguir esses cuidados ao usar um remédio para constipação em criança10:
- ter orientação médica: se a criança apresentar tipos de cocô infantil considerados inadequados, procure um profissional de saúde para investigar as causas e definir o medicamento mais indicado para amolecer as fezes;
- respeitar a dose recomendada: a quantidade prescrita é ajustada conforme a idade e o peso da criança. Alterar a dose por conta própria pode comprometer o tratamento e causar efeitos indesejados, como diarreia e desidratação;
- manter a ingestão de água: alguns medicamentos laxativos podem aumentar a eliminação de líquidos, por isso, beber bastante água preserva a hidratação corporal;
- acompanhar os sintomas: durante o tratamento, observe mudanças na escala dos tipos de cocô infantil, além de alterações na cor, na textura e na presença de dores abdominais ou inchaço.
Administrar corretamente o um remédio para ressecamento de fezes infantil garante um tratamento seguro e eficaz, o que ajuda a regular o trânsito intestinal e a recuperar o conforto da criança10.
Agora que você conhece os tipos de cocô infantil, quais características são preocupantes e como fazer o tratamento correto de problemas intestinais, aprenda dicas que contribuem para o funcionamento do intestino infantil.
O que fazer para regular o intestino infantil? 4 dicas
Hábitos diários simples, como evitar alimentos ultraprocessados, incentivar a ingestão de água, estabelecer uma rotina para ir ao banheiro e oferecer alimentos ricos em fibras, favorecem o funcionamento regular do intestino. Essas práticas ajudam a prevenir constipação e diarreia, contribuindo para a saúde intestinal da criança4,5.
Saiba como colocar essas dicas em prática.
1. Evite os alimentos processados
Biscoitos recheados, chips, bebidas açucaradas e doces industrializados são muito convidativos para as crianças. Porém, evite esses alimentos, pois prejudicam a microbiota e o funcionamento intestinal4.
2. Aumente a ingestão de água da criança
Assim que os alimentos sólidos entram na alimentação, reforce a ingestão de água. A hidratação é fundamental para a formação de fezes saudáveis, macias e fáceis de expelir5.
Se aumentar o consumo de fibras, a ingestão de líquidos é ainda mais essencial. Comer fibras solúveis sem beber água pode causar o efeito contrário no intestino5.
3. Leve seu filho ao banheiro diariamente
Algumas crianças esquecem de ir ao banheiro no dia a dia porque não querem parar as brincadeiras e, por isso, seguram as fezes. Ainda existem aquelas que têm medo de fazer cocô4.
Independentemente do caso, uma forma de ajudar a regular o intestino da criança é levá-la ao banheiro todos os dias, além de incentivá-la a fazer cocô quando a vontade surgir4.
Segurar as fezes é um hábito muito prejudicial que, em longo prazo, pode causar constipação intestinal4.
4. Ofereça alimentos ricos em fibra
Se o pequeno está na introdução alimentar, essa é uma ótima oportunidade para apresentar alimentos ricos em fibra4.
Agora, se é uma criança maior, que já come comida há algum tempo, é hora de exercitar a criatividade para incluir as fibras nas refeições.
Esse nutriente é um tipo de carboidrato não digerido pelo organismo, fundamental para a saúde intestinal e, entre muitos benefícios para a saúde, ajuda a formar fezes saudáveis5.
Por que o apoio do pediatra ou gastropediatra é importante?
Nem sempre os cuidados caseiros são suficientes para normalizar o funcionamento intestinal ou aliviar a constipação, especialmente quando não apresentam o efeito esperado. Por isso, a orientação profissional é essencial para identificar as causas e indicar, quando necessário, tratamentos adequados, seguros e compatíveis com a idade da criança12.
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Sobre o autor
Dr. Márcio de Queiroz Elias
Trabalha na indústria Farmacêutica desde os anos 2000, vindo a atuar nas áreas de Saúde Feminina, Consumer Health, Clínica Geral, Pediatria, Dor e Inflamaç
Rotulagem produto Tamarine Fibras Kids