um médico examina o abdômen de um bebê

Alimentação diária rica em fibras, ingestão regular de água, rotina para ir ao banheiro após as refeições e acolhimento da criança diante das dificuldades, sem broncas, são as principais soluções para os pais que já constataram: “meu filho segura as fezes” e não sabem o que fazer.

Esse cenário, apesar de comum entre os pequenos, não é natural nem saudável e pode prejudicar a saúde intestinal¹.

Geralmente, existe um gatilho que leva a criança a prender as fezes, como medo da dor, mudança de ambiente, por exemplo, começar a ir à creche, ou até não querer interromper uma brincadeira prazerosa2.

Assim, quanto mais tempo o cocô permanece no intestino, mais ressecado fica, tornando a evacuação realmente dolorosa. Por isso, observar e conversar com a criança é essencial para entender suas dificuldades e ajudá-la a superar essa insegurança2.

Por isso, se a frase “meu filho segura as fezes” está martelando na sua cabeça, neste artigo você entenderá por que a criança prende o cocô, aprenderá dicas para ajudá-la a perder o medo de ir ao banheiro e também descobrirá quantos dias a criança pode ficar sem fazer cocô.

Resumo

  • A retenção intestinal acontece quando a criança evita evacuar voluntariamente, mesmo com vontade, geralmente por medo, dor ou desconforto ao ir ao banheiro2.
  • Outros motivos pelos quais seu filho segura as fezes são mudanças na rotina ou preferência por continuar brincando4.
  • O tempo que a criança pode ficar sem fazer cocô varia conforme a idade, mas períodos superiores a três dias já exigem atenção e, em muitos casos, orientação pediátrica1.
  • Para ajudar a criança a fazer cocô, ajuste a alimentação, melhore a hidratação, crie uma rotina para ir ao banheiro e, quando necessário, busque suporte profissional para lidar com medo e resistência2-4.

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O que é retenção intestinal?

É um comportamento ativo da criança que, muitas vezes, segura as fezes por medo ou dor ao evacuar. Ou seja, ela sente vontade, mas resiste a ir ao banheiro ou não relaxa no vaso sanitário para fazer as necessidades. Essa atitude pode causar desconfortos semelhantes aos provocados pelo intestino preso2.

A diferença é que a constipação intestinal, também chamada de prisão de ventre, é um problema funcional que reduz a frequência das evacuações².

Dessa forma, a criança pode não evacuar ou conseguir fazer cocô, mas ficar com a sensação de esvaziamento incompleto ou até precisar fazer muita força para expelir as fezes².

A constipação intestinal infantil é uma das principais queixas nas consultas de gastroenterologia pediátrica. Para se ter uma ideia, cerca de 25% dos atendimentos com especialistas são destinados ao tratamento da prisão de ventre².

Além disso, nas consultas pediátricas gerais, o problema é a principal causa em 3% dos atendimentos². Portanto, esse quadro pode explicar por que a criança prende o cocô.

Causas da constipação que contribuem para a retenção

Nas crianças, esse distúrbio digestivo é comum devido a fatores como³:

  • baixa hidratação;
  • consumo frequente de alimentos não saudáveis;
  • baixo ou nenhum consumo de fibras;
  • hábito de segurar as fezes ao sentir vontade de evacuar.

Entre essas causas, os comportamentos alimentares costumam ser mais fáceis de resolver por meio de um processo de reeducação alimentar.

O maior problema ocorre quando a criança desenvolve receio de fazer cocô. Esse bloqueio emocional ou psicológico pode levá-la a segurar as fezes ao máximo, o que é bastante prejudicial para a saúde intestinal4.

A seguir, entenda como esse comportamento pode fazer seu filho adiar a evacuação.

Por que a criança prende o cocô?

Os fatores comportamentais que podem fazer seu filho segurar as fezes incluem4:

  • estar entretido em alguma atividade e não querer interrompê-la para ir ao banheiro;
  • não se sentir confortável para evacuar fora de casa, seja na creche ou na casa de parentes;
  • sentir desconforto ou dor durante a evacuação.

Diante desses cenários, você automaticamente pode se perguntar: o que fazer se meu filho prende as fezes? A intervenção varia de acordo com cada fator.

Quando a criança simplesmente não vai ao banheiro porque não quer interromper uma brincadeira, é fundamental intervir e programar pausas ao longo do dia, aproveitando esses momentos para levá-la ao banheiro.

Se a criança não vai por conta própria, leve-a ao vaso nos horários em que costuma sentir vontade de evacuar e permaneça com ela até que termine.

Nessas situações, levar um brinquedo para o banheiro pode ajudar, pois a criança se distrai enquanto faz suas necessidades.

Outros casos são mais complexos, como quando a criança prende as fezes por medo de evacuar. Nesses contextos, medidas externas podem ser necessárias, como acompanhamento terapêutico4.

Ao ver seu filho segurando as fezes por muito tempo, você provavelmente está se perguntando: quantos dias a criança pode ficar sem fazer cocô? Confira a resposta no próximo tópico.

Quantos dias a criança pode ficar sem fazer cocô?

O ideal é que as crianças não passem mais de três dias sem ir ao banheiro. Isso porque, quando uma pessoa fica mais tempo do que esse limite sem defecar, as fezes vão perdendo água e endurecendo no intestino, ficando cada vez mais difícil eliminá-las¹.

Dessa forma, dependendo do grau de ressecamento intestinal, pode ser necessária uma intervenção médica para retirar as fezes acumuladas¹.

Em geral, a partir de 1 ano, a maioria das crianças faz cocô uma ou duas vezes por dia. No entanto, não é uma regra, e a frequência pode mudar devido a hábitos comportamentais e alimentares¹.

Agora que você já sabe por que seu filho tem dificuldade para fazer cocô, entenda o que pode causar a retenção de fezes na infância e quais são os passos práticos para ajudá-lo.

Como ajudar a criança a fazer cocô?

Aumente o consumo de fibras, evite alimentos processados, ofereça mais água ao longo do dia, incentive a criança a se movimentar e crie uma rotina de idas ao banheiro. Com esses hábitos, além de saudável e bem alimentado, o intestino do seu pequeno funcionará de forma mais eficiente e regular2-4.

Entenda como aplicar cada uma dessas dicas na prática.

1. Aumente o consumo de fibras

Se seu filho segura as fezes, as fibras são nutrientes fundamentais na alimentação, pois ajudam a aliviar os sintomas da constipação².

Isso porque o organismo humano não consegue absorver esses carboidratos, que chegam praticamente inalterados ao intestino. Assim, ajudam a equilibrar a flora intestinal, formar as fezes e melhorar o trânsito intestinal².

O baixo consumo de fibras pelas crianças é uma das principais causas da constipação intestinal infantil2,3,4.

Esse efeito ocorre porque, durante a introdução alimentar, quando a criança troca o leite materno por alimentos sólidos, a quantidade de fibras na alimentação diminui. O resultado é a alteração no funcionamento intestinal, o que, na maioria das vezes, causa prisão de ventre4.

Por isso, para ajudar seu filho a ir mais ao banheiro, ofereça mais alimentos com alto teor de fibra.

Leia mais: Alimentos ricos em fibras: 37 opções essenciais na dieta

2. Evite alimentos processados

Ainda em relação à alimentação, não basta incluir mamão ou ameixa, ambos ricos em fibras, para seu filho parar de segurar as fezes e fazer cocô sem nenhum problema4.

Afinal, não adianta comer uma fruta no café da manhã se, no restante do dia, as refeições são repletas de alimentos processados, açucarados e gordurosos4.

Por isso, evite alimentos pouco nutritivos, como biscoitos recheados, salgadinhos de pacote e sucos industrializados. Por mais que esses lanches sejam “atrativos” para a criançada, em termos de saúde intestinal, não são as melhores escolhas4.

3. Ofereça mais água ao longo do dia

Quando a amamentação é a principal fonte de alimento da criança, o leite materno supre todas as necessidades nutricionais, inclusive a hidratação4.

No entanto, a partir do momento em que ela passa a comer alimentos sólidos, os líquidos precisam ser adicionados4.

A água é indispensável para a saúde em todas as fases da vida, mas, falando em especial de crianças com medo de fazer cocô, é ainda mais essencial.

A baixa hidratação atrapalha o trânsito intestinal, que fica mais lento. Além disso, deixa as fezes mais duras, causando dor na hora de evacuar.3,4

Se seu filho segura as fezes por sentir dor, o comportamento mais provável é evitar ir ao banheiro para não passar por uma evacuação dolorosa novamente4. Então, para ajudar, dê mais água ao longo do dia!

4. Incentive a criança a se movimentar

Crianças são naturalmente mais energéticas, gostam de brincar e praticar esportes. No entanto, atualmente, ficam cada vez mais paradas em casa, sentadas na frente da TV ou do tablet o dia todo.

De início, esse hábito pode não parecer um problema, mas a questão é que quanto menos a criança se movimenta, mais lento o trânsito intestinal fica³.

Por isso, se puder, leve seu filho para correr, brincar com outras crianças, fazer aulas de futebol, dança, luta ou natação. O importante é que ele seja mais ativo para o intestino acompanhar esse ritmo³.

Leia mais: Exercício físico melhora o intestino? Veja dicas!

5. Leve seu filho ao banheiro

Um hábito comum entre as crianças é deixar de ir ao banheiro porque está brincando e não quer parar. Outros motivos incluem não estar confortável no ambiente ou ter medo de sentir dor4.

O problema é que quanto mais tempo seu filho segura as fezes, mais duro o cocô fica, o que dificulta a evacuação¹. Por isso, vá ao banheiro com ele, especialmente em lugares novos4.

Para se orientar, fique atento aos horários em que a criança tem vontade de fazer cocô (manhã, tarde, noite) e, se possível, fique com ela até o final, dê a mão e diga que está tudo bem fazer cocô.

Esse acolhimento fará o pequeno se sentir seguro e contribuirá muito para perder o medo de ir ao banheiro fora de casa.

 

 

Leia também: Consistência das fezes: 5 dicas para regular o trânsito intestinal

Meu filho prende as fezes: o que fazer?

Se seu filho tem um trânsito intestinal lento e está passando por um quadro de constipação intestinal, mudanças alimentares e comportamentais podem ajudar. Agora, caso o problema seja medo de ir ao banheiro, melhorar a dieta e a hidratação pode não ser suficiente, pois há uma barreira emocional envolvida3,4.

Nesses casos, a criança pode não se sentir segura, ter medo de sentir dor ou apresentar outros receios que tornam o momento de ir ao banheiro uma experiência desagradável e, muitas vezes, associada ao choro. Por isso, buscar auxílio profissional é o mais indicado5.

6. Procure um terapeuta infantil

O acompanhamento terapêutico pode ser útil, pois, muitas vezes, as crianças têm dificuldade para se expressar. Além disso, por ser um cenário caótico, com muito choro e dor, os pais se sentem cansados e estressados, não transmitindo a tranquilidade necessária5.

O profissional saberá como conversar com o pequeno de forma simples, sem julgamentos, e entender o que ele sente ao fazer cocô, os motivos e se o processo dói5.

Nem sempre a criança sabe explicar, mas o psicólogo fará as perguntas certas para ajudá-la a se comunicar e mostrar como perder o medo de evacuar5.

7. Outras possibilidades além do vaso sanitário

A troca pelo vaso também pode causar dificuldade para evacuar, pois a criança se acostuma à segurança da fralda5.

Nesse caso, pondere junto ao pediatra se vale a pena atrasar o desfralde ou manter a fralda apenas em momentos específicos do dia, como à noite. Afinal, essa estratégia pode ser melhor do que ver a criança segurar as fezes por medo5.

O uso do penico é outra alternativa. Apresente essa opção e estimule a criança a passar um tempo sentada pela manhã ou após uma refeição. Dê um brinquedo para ela se distrair e, assim, relaxar e conseguir evacuar5.

Criança com prisão de ventre: o que fazer?

Nos bebês, massagens abdominais, banhos mornos e exercícios de “bicicletinha” com as pernas ajudam a estimular o intestino. Já em crianças maiores, trabalhe o reforço positivo e ofereça alternativas como o uso do penico ou adaptadores para o vaso, deixando o assento mais confortável e seguro para a evacuação5.

Se, além dos problemas de constipação, o seu filho segura as fezes, evite puni-lo em qualquer momento por essa dificuldade ou gritar com ele. Essas reações negativas podem reforçar o medo de evacuar, além de agravar o quadro de intestino preso5.

Leia também: Ansiedade causa problemas intestinais? Verdade ou mito?

FAQ

Qual é a melhor posição para fazer cocô?

Ficar de cócoras é a forma mais eficiente de evacuar sem esforço. Para ajudar a criança, coloque um banquinho de cerca de 30 cm sob os pés, incline o tronco levemente à frente, apoie os cotovelos nos joelhos para relaxar o abdômen e facilitar a evacuação natural5.

Como ajudar o bebê a evacuar?

Faça massagens suaves na barriga no sentido horário, movimente as perninhas para cima e para baixo e depois pressione levemente os joelhos contra o abdômen para liberar gases e facilitar a evacuação. Para bebês maiores de seis meses, consumir frutas como mamão e ameixa ajuda o intestino a funcionar5,6.

Por quanto tempo é seguro manter orientações dietéticas e rotinas antes de procurar ajuda?

Quando os recém-nascidos não evacuam após 24 a 48 horas do nascimento, é fundamental uma avaliação médica para descartar doenças ou malformações anorretais. Já em crianças maiores, após mais de três dias sem evacuar, é indicado buscar orientação do pediatra para definir métodos seguros de alívio e acompanhar o quadro1.

Meu filho segura as fezes: informe-se sobre suplementação de fibras

Agora que você sabe o que fazer quando perceber que seu filho segura as fezes, uma dica extra é se informar sobre a suplementação de fibras com o pediatra.

Consumir a quantidade ideal do nutriente por meio da alimentação pode ser desafiador para crianças e adultos. Nessas situações, o suplemento alimentar pode ser um aliado prático para melhorar o trânsito intestinal.

O Tamarine Fibras Kids, por exemplo, é uma opção que contém um mix de fibras, auxiliando no funcionamento do intestino. Além disso, tem sabor de morango e acompanha copo medidor, o que facilita a inclusão na rotina da criança8.

Se seu filho tem mais de 4 anos, o Tamarine Fibras em pó também pode ser utilizado, pois é recomendado para toda a família7.

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Sobre o autor

Dr. Márcio de Queiroz Elias

Trabalha na indústria Farmacêutica desde os anos 2000, vindo a atuar nas áreas de Saúde Feminina, Consumer Health, Clínica Geral, Pediatria, Dor e Inflamação, Reumatologia, Similares e genéricos.

Conheça o autor

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