A tirzepatida é um dos medicamentos mais modernos do mercado. A substância imita a ação de dois hormônios intestinais, o GLP-1 e o GIP, e atua diretamente no pâncreas e no cérebro, melhorando o controle dos níveis de açúcar no sangue e promovendo um potente efeito de redução do apetite e aumento da saciedade1.
Por causa desse mecanismo de ação, o medicamento é indicado principalmente para o tratamento do diabetes tipo 2 e da obesidade1.
Além desses benefícios, o ativo pode auxiliar na perda e na manutenção de um peso corporal mais saudável. No entanto, a tirzepatida causa constipação em alguns pacientes, o que exige atenção durante o tratamento9.
Você já ouviu o nome do medicamento, mas quer saber a fundo o que é tirzepatida e para que serve?
Então, continue a leitura deste artigo para conhecer seus principais efeitos colaterais, entender as diferenças em relação à semaglutida e descobrir se a tirzepatida pode dar diarreia. Além disso, veja como amenizar os efeitos colaterais da tirzepatida durante o uso diário.
Resumo
- A tirzepatida é um ativo presente em medicamentos injetáveis que servem para o tratamento do diabetes mellitus tipo 21.
- Além de auxiliar no controle da glicemia, o remédio ajuda na perda e na manutenção de peso em pacientes diabéticos com sobrepeso ou obesidade4.
- A substância pode causar constipação porque reduz a velocidade do esvaziamento gástrico e torna o trânsito intestinal mais lento, favorecendo maior absorção de água no cólon e a formação de fezes ressecadas9.
- O medicamento também pode causar diarreia, especialmente no início do tratamento ou após ajustes de dose, devido à adaptação do sistema digestivo às mudanças no ritmo intestinal10.
- Para amenizar os efeitos colaterais da tirzepatida, recomenda-se manter uma alimentação equilibrada, aumentar a hidratação, consumir fibras solúveis, praticar atividade física e seguir rigorosamente a orientação médica12.
- O acompanhamento profissional é fundamental para gerenciar os potenciais efeitos colaterais, ajustar a dose e, assim, obter os resultados esperados3.
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Boa leitura!
O que é tirzepatida e para que serve?
É o princípio ativo de medicamentos injetáveis indicados para o tratamento do diabetes tipo 2 e da obesidade. Sua ação imita dois hormônios intestinais, o GLP-1 e o GIP, contribuindo para o controle da glicose no sangue, a redução do apetite e o aumento da sensação de saciedade1.
A tirzepatida é um medicamento da classe dos agonistas duplos. Ou seja, ativa diretamente as células que secretam os hormônios GIP e GLP-1 durante a digestão, o que ajuda a regular a glicemia2.
Dessa forma, o polipeptídeo insulinotrópico dependente de glicose (GIP) e o agonista do receptor de peptídeo-1 semelhante ao glucagon (GLP-1) auxiliam o corpo a produzir mais insulina, uma dificuldade para quem tem diabetes tipo 2.
A substância também reduz a quantidade de glicose (açúcar) produzida pelo fígado e diminui a rapidez com que os alimentos são digeridos. Essa ação ajuda a diminuir os níveis de açúcar no sangue e de HbA1c (hemoglobina glicada)2.
Além disso, a tirzepatida atua na perda e na manutenção de peso, pois seu mecanismo de ação faz o controle do apetite ao promover a sensação de saciedade, o que faz o paciente sentir menos fome e ter menos vontade de comer3.
Leia também: Sistema digestório: guia completo para sua saúde digestiva
Quem pode tomar tirzepatida?
O medicamento pode ser indicado para adolescentes de 10 a 17 anos e adultos com diabetes tipo 2 e/ou obesidade. Em geral, seu uso é recomendado quando a metformina ou outros tratamentos não são adequados ao paciente ou não conseguem promover o controle eficaz da glicemia3,8.
Outro fator determinante para o uso da tirzepatida é o Índice de Massa Corporal (IMC). Os pacientes que estão acima do peso e com dificuldade para controlá-lo podem obter resultados positivos2,3.
Nesse caso, além do remédio, uma dieta hipocalórica (reduzida em calorias) e o aumento da atividade física são fundamentais para a perda e a manutenção do peso corporal2,3.
Dessa forma, o remédio é eficaz para pacientes com3:
- IMC de 30 kg/m² ou superior (caracteriza obesidade);
- IMC de 27 kg/m² a 30 kg/m² (marca sobrepeso) com problemas de saúde relacionados ao peso devido a pré-diabetes, diabetes tipo 2, pressão alta, níveis anormais de gorduras no sangue, problemas respiratórios durante o sono ou histórico de ataque cardíaco, derrame ou problemas nos vasos sanguíneos.
A perda de peso ainda pode auxiliar a melhorar outros problemas de saúde relacionados à obesidade, como as condições psicológicas do paciente2-3.
Quais são os principais efeitos colaterais da tirzepatida?
Os efeitos mais comuns com o uso do ativo são3:
- hipoglicemia, se utilizado junto de outros medicamentos que contêm sulfonilureia e/ou insulina, o que causa dor de cabeça, sonolência, fraqueza, tontura, sensação de fome, confusão mental, irritabilidade, taquicardia e suor;
- náusea;
- diarreia;
- vômito;
- dor abdominal;
- constipação.
Náusea, diarreia e vômito são os efeitos mais comuns no início do uso da tirzepatida, mas diminuem com o tempo. Já constipação, dor abdominal e vômitos são recorrentes em pacientes que também estão em controle de peso3.
Por isso, antes de utilizar o medicamento, comunique ao médico caso tenha problemas gastrointestinais graves ou pancreatite, para tomar a dose adequada e seguir os cuidados necessários3.
Se tiver qualquer efeito colateral, listado ou não na bula, busque atendimento ou entre em contato com o médico3.
Qual é a diferença entre tirzepatida e semaglutida?
Os dois medicamentos ajudam no controle da glicemia em pessoas com diabetes tipo 2, mas atuam de formas diferentes. A tirzepatida é um agonista duplo dos hormônios GLP-1 e GIP, enquanto a semaglutida age apenas sobre o GLP-1, o que pode influenciar os resultados obtidos5.
Os remédios à base de semaglutida contam com um ativo que age sobre a secreção do GLP-1 (agonista do receptor de peptídeo-1 semelhante ao glucagon). Esse hormônio é produzido no intestino e estimula a liberação de insulina pelo pâncreas5.
Já a tirzepatida apresenta ação dupla. Além de estimular a liberação de GLP-1, age para liberar o GIP (polipeptídeo insulinotrópico dependente de glicose), que aumenta a produção de insulina, reduz a de glucagon e retarda o esvaziamento gástrico5.
Aprovação da Anvisa
No Brasil, ambos são aprovados para o tratamento do diabetes tipo 2. A perda de peso é um efeito secundário das duas fórmulas para pacientes diabéticos com sobrepeso e obesidade4.
Porém, o uso off-label (fora das condições descritas na bula) aumentou, o que levou, inclusive, a um alerta da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), da Associação para o Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica (Abeso) e da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD) sobre a comercialização de produtos falsos no mercado6.
Os efeitos colaterais da tirzepatida e da semaglutida são semelhantes. Os mais comuns são: constipação, diarreia, dor abdominal, náusea e vômito. A tirzepatida, especificamente, tende a causar problemas gastrointestinais, como indigestão.
A seguir, entenda como a tirzepatida pode influenciar o funcionamento intestinal e quais mecanismos explicam esse possível efeito colateral.
Por que a tirzepatida causa constipação?
A ativação dos receptores GLP-1 e GIP desacelera o esvaziamento gástrico, fazendo com que os alimentos permaneçam por mais tempo no sistema digestivo, e aumenta a liberação de insulina. Dessa forma, a velocidade dos movimentos gastrointestinais diminui, o que favorece o surgimento da prisão de ventre9.
Essa desaceleração mantém o bolo fecal por mais tempo do que o ideal no cólon devido à lentidão dos movimentos peristálticos, o que faz com que o organismo absorva água em excesso. Como resultado, as fezes ficam mais ressecadas e difíceis de eliminar9.
Além da ação do medicamento, as pessoas que usam tirzepatida tendem a9:
- beber menos água: a saciedade prolongada pode reduzir a ingestão de líquidos ao longo do dia, favorecendo o ressecamento das fezes e dificultando a evacuação;
- comer menos: a redução do volume de alimentos consumidos também pode diminuir a ingestão de fibras presentes em frutas, verduras e legumes, o que contribui para a constipação;
- evacuar com menos frequência: a combinação de menor ingestão de água e alimentos com um intestino mais lento pode reduzir a frequência das evacuações, enfraquecendo o estímulo natural para ir ao banheiro.
De acordo com estudos clínicos, a constipação associada ao uso da tirzepatida afeta cerca de 6% a 7% dos pacientes durante o tratamento9.
Tirzepatida pode dar diarreia?
Sim. Esse efeito colateral pode surgir nas primeiras semanas de tratamento ou após o aumento da dose. Nesses momentos, o sistema digestivo pode reagir às mudanças provocadas pelo medicamento, resultando em episódios temporários de diarreia até que o organismo se adapte completamente à ação da substância10.
Dessa forma, embora a tirzepatida retarde a velocidade com que os alimentos deixam o estômago, também pode provocar alterações temporárias no funcionamento intestinal, acelerando o trânsito intestinal e aumentando as contrações musculares do intestino10.
Como consequência, há menos tempo para a absorção de água no cólon, o que pode causar diarreia ou fezes mais amolecidas10.
Assim como a constipação, a diarreia é considerada um efeito colateral comum. Em estudos voltados ao controle de peso, sua incidência variou entre 12% e 22% dos participantes, conforme a dosagem utilizada11.
Leia também: Tipos de diarreia: conheça as classificações desse sintoma
Como amenizar os efeitos colaterais da tirzepatida?
As estratégias práticas para manter o sistema gastrointestinal saudável incluem adotar uma reeducação alimentar no início do tratamento, aumentar a ingestão de água ao longo do dia, consumir mais fibras solúveis e praticar atividade física regularmente. Também é essencial não alterar a dose do medicamento por conta própria12.
Confira cada dica em detalhes.
1. Adotar uma reeducação alimentar
A reeducação alimentar é indispensável tanto para controlar a glicemia quanto para promover a perda de peso. Nesse contexto, o apoio de um nutricionista pode ajudar a montar um cardápio nutritivo, variado e com quantidades equilibradas por refeição, evitando sobrecarga no sistema digestivo mais lento12.
2. Aumentar a ingestão de água
A água ajuda o intestino a funcionar melhor e a formar fezes macias e fáceis de evacuar. Estabeleça uma meta diária de hidratação e utilize uma garrafa para monitorar a ingestão ao longo do dia12.
Uma forma de estimar a quantidade ideal é multiplicar o peso corporal (em kg) por 35. Em geral, adultos precisam de cerca de 35 ml por kg de peso12,13.
3. Consumir mais fibras solúveis
Nos casos de constipação, o ideal é consumir alimentos de fácil digestão que contenham fibras solúveis, as quais se dissolvem em água e formam um gel. Esse processo ajuda as fezes a se deslocarem com mais facilidade e a ganharem volume, sem causar gases ou fermentação excessiva12.
Algumas sugestões incluem: banana, abacate, ervilha, feijão, cenoura, maçã cozida, arroz branco, torrada, aveia e casca de psyllium12.
4. Praticar atividade física regularmente
A atividade física movimenta os músculos do corpo, incluindo os que atuam no intestino. Dessa forma, fazer caminhadas ou exercícios regularmente pode ajudar a aliviar a constipação e também contribuir para a eficácia do tratamento12.
5. Não alterar a dose do medicamento por conta própria
Como a tirzepatida pode causar efeitos colaterais tanto no início quanto após ajustes de dose, nunca altere a dosagem recomendada por conta própria. Cada organismo reage de forma diferente, e o médico precisa acompanhar os sintomas para ajustar o tratamento de maneira segura12.
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Tamarine Fibras: o aliado seguro para manter o ritmo intestinal
Para obter os benefícios esperados e gerenciar os efeitos colaterais, utilize a tirzepatida apenas com acompanhamento médico e siga as demais orientações do tratamento, como dieta equilibrada e exercícios regulares3.
Esses cuidados garantem um tratamento mais seguro e permitem os ajustes necessários de dose para que o uso seja mais confortável e eficaz.
Além disso, o uso preventivo de suplementação de fibras com ação reguladora intestinal suave pode ajudar a manter a consistência ideal das fezes, contribuindo para que o processo de perda de peso ocorra com mais leveza e sem interrupções indesejadas12.
Tamarine Geleia é um laxante fitoterápico que combina Senna e Cassia, duas plantas medicinais que auxiliam o funcionamento intestinal. Por isso, é uma opção prática para aliviar o desconforto do intestino preso14.
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Tamarine: Senna alexandrina Mill., Cassia fistula L. Indicações: tratamento sintomático de intestino preso, das constipações primárias e secundárias e na preparação para exames radiológicos e endoscópicos. MS 1.7817.0023. Se persistirem os sintomas, o médico deverá ser consultado. Junho/2026.
Sobre o autor
Dr. Márcio de Queiroz Elias
Trabalha na indústria Farmacêutica desde os anos 2000, vindo a atuar nas áreas de Saúde Feminina, Consumer Health, Clínica Geral, Pediatria, Dor e Inflamaç