Mulher segurando uma caneta de aplicação do medicamento semelhante ao hormônio intestinal GLP-1.

Quando a comida chega ao intestino delgado, o hormônio intestinal GLP-1 entra em ação para estimular a produção de insulina, regular o açúcar no sangue e enviar sinais de saciedade ao cérebro1.

Esse mecanismo natural também retarda o esvaziamento do estômago. Dessa forma, dependendo do tipo de alimento ingerido e da velocidade com que é digerido pelo organismo, maior será o tempo até que a fome apareça1.

Porém, algumas doenças crônicas, como o diabetes e a obesidade, impactam esse sistema, desregulando os níveis de glicose no sangue e predispondo ao sobrepeso2.

Nesses casos, os remédios análogos de GLP-1 entram em cena, desempenhando o papel do hormônio natural2.

No entanto, apesar de auxiliarem na regulação do organismo, esses medicamentos podem causar efeitos colaterais no trato digestivo, especialmente no intestino2.

Continue a leitura para entender o papel do GLP-1, por que a constipação causada por medicamentos dessa categoria acontece, se a semaglutida prende o intestino e quais são os tratamentos da constipação intestinal mais indicados.

 

Resumo

·        O hormônio intestinal GLP-1 é uma incretina produzida após as refeições que ajuda a regular a glicemia, promove a liberação de insulina, retarda o esvaziamento do estômago e aumenta a sensação de saciedade3,4.

·        A constipação causada por agonistas de GLP-1 ocorre porque os medicamentos prolongam o retardo da digestão, deixando o trânsito intestinal mais lento5.

·        Os tratamentos da constipação intestinal incluem hidratação adequada, aumento gradual da ingestão de fibras, prática de atividade física, criação de uma rotina intestinal e, quando necessário, o uso de reguladores intestinais sob orientação médica8.

 

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Boa leitura!

O que é o hormônio intestinal GLP-1?

É um hormônio incretina, produzido naturalmente no intestino após as refeições, que ajuda a regular o açúcar no sangue ao estimular a liberação de insulina e reduzir a produção de glucagon pelo pâncreas. Além disso, retarda o esvaziamento do estômago e promove a sensação de saciedade no cérebro3,4.

O efeito incretina do peptídeo semelhante ao glucagon tipo 1, nome completo do GLP-1, é um mecanismo que aumenta a secreção de insulina em duas a três vezes após a alimentação3,4.

No entanto, em pessoas com diabetes tipo 2 e/ou obesidade, por exemplo, a eficácia desse processo é reduzida ou até inexistente, devido às alterações provocadas por essas doenças crônicas3,4.

A chegada dos medicamentos agonistas do receptor de GLP-1

Para compensar essa deficiência, foram desenvolvidos medicamentos que imitam a ação do hormônio intestinal GLP-1, reproduzindo seus efeitos no organismo, como a redução do apetite e a promoção da saciedade3,4.

Com isso, além de proporcionar um controle mais preciso do açúcar no sangue, esses medicamentos também auxiliam na perda de peso, promovendo uma redução média de 15% a 20% do peso corporal3,4.

Por esses benefícios, os medicamentos da classe dos agonistas de GLP-1 são considerados um marco no tratamento do diabetes tipo 2 e da obesidade, transformando a forma como essas condições são tratadas e contribuindo para melhorar a qualidade de vida de milhões de pessoas em todo o mundo3,4.

Porém, com essas vantagens, também podem surgir efeitos colaterais que exigem cuidados para garantir a continuidade do tratamento. Confira mais detalhes no próximo tópico.

Por que a constipação causada por medicamentos agonistas de GLP-1 acontece?

Esse efeito colateral ocorre porque o medicamento desacelera o funcionamento do sistema digestivo. Embora esse mecanismo aumente a saciedade, também deixa o trânsito intestinal mais lento, favorecendo a constipação. Com mais tempo no intestino, as fezes perdem água, ficam mais ressecadas e difíceis de eliminar5.

Além disso, como os medicamentos mais modernos permanecem ativos por mais tempo no organismo, diferentemente do hormônio intestinal GLP-1 natural, cuja ação dura apenas alguns minutos, a prisão de ventre pode surgir como consequência desse mecanismo5.

Esse efeito colateral é mais comum no início do tratamento, mas também pode persistir ao longo do seu uso ou reaparecer após ajustes na dose5.

Por isso, adotar estratégias preventivas desde o começo pode reduzir o risco de evolução para um quadro crônico de constipação.

Leia também: Trânsito intestinal: descubra se o seu fluxo está saudável

A semaglutida prende o intestino?

Sim. Ao retardar a digestão, o medicamento pode desacelerar o trânsito intestinal e favorecer a constipação. A frequência desse efeito colateral varia entre os estudos, com relatos que vão de aproximadamente 1 em cada 10 pessoas até cerca de 1 em cada 3, dependendo da pesquisa6.

Embora seja um efeito frequente e, em muitos casos, esperado, ignorar a constipação durante o tratamento de doenças crônicas, que seguem protocolos de longo prazo, pode comprometer não apenas a saúde intestinal, mas também a adesão ao tratamento6.

Por isso, manter uma comunicação próxima com o médico é imprescindível para garantir a eficácia e a continuidade da terapia. Essa proximidade é importante porque, atualmente, existem diversas opções de medicamentos que imitam a ação do hormônio intestinal GLP-1 disponíveis no mercado.

Assim, caso uma opção não seja bem tolerada, o médico poderá avaliar a substituição por outra.

Para entender as diferenças de mecanismo de ação e os possíveis efeitos colaterais entre as principais moléculas disponíveis, confira, na tabela a seguir, um comparativo entre a semaglutida e a tirzepatida7.

Critério

Semaglutida

Tirzepatida

Mecanismo de ação

É um agonista do receptor de GLP-1, imitando a ação do hormônio intestinal GLP-1. Estimula a liberação de insulina, reduz o glucagon, retarda o esvaziamento gástrico e aumenta a saciedade.

É um agonista duplo. Além dos efeitos promovidos pelo GLP-1, também ativa o receptor de GIP, potencializando a resposta à insulina.

Controle glicêmico

Promove melhora significativa da glicemia e da hemoglobina glicada (HbA1c), sendo amplamente utilizada no tratamento do diabetes tipo 2 e da obesidade.

Proporciona excelente controle da glicemia, com resultados superiores aos observados com a semaglutida, segundo estudos.

Possíveis efeitos colaterais gastrointestinais

Náuseas, vômitos, diarreia, constipação, distensão abdominal e sensação de estômago.

Apresenta um perfil de efeitos gastrointestinais semelhante ao da semaglutida.

Vale destacar que a resposta ao tratamento e a tolerabilidade aos medicamentos variam de acordo com as características e as necessidades de cada paciente.

Leia também: Qual é a diferença entre semaglutida e liraglutida? Como agem?

Quais são as indicações de tratamento da constipação intestinal?

O manejo da constipação combina hábitos saudáveis e acompanhamento médico. As principais recomendações incluem8:

·        beber bastante água: mantém as fezes macias. Como referência, multiplique o peso corporal por 35 ml para estimar a ingestão diária de líquidos;

·        aumentar gradualmente as fibras: facilita a evacuação;

·        praticar atividade física: estimula o funcionamento do intestino;

·        criar uma rotina intestinal: favorece a regularidade das evacuações;

·        evitar laxantes estimulantes: reduz o risco de cólicas;

·        conversar com o médico sobre reguladores intestinais: têm ação mais suave.

Leia também: Como limpar o intestino de fezes acumuladas e aliviar sintomas

Regule o intestino de forma natural com Tamarine

O hormônio intestinal GLP-1 desempenha um papel essencial no controle da glicemia e da saciedade. Por isso, o tratamento com medicamentos que reproduzem sua ação deve ser realizado com acompanhamento médico e conforme a prescrição.

Caso essas medicações provoquem lentidão no trânsito intestinal, adote estratégias que ajudem a aliviar a constipação sem comprometer a continuidade do tratamento.

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1. Zheng Z, Zong Y, Ma Y, Tian Y, Pang Y, Zhang C, et al. Glucagon-like peptide-1 receptor: Mechanisms and Advances in Therapy. Signal Transduction and Targeted Therapy. 2024 Sep 18;9(1):1–29. Disponível em: https://www.nature.com/articles/s41392-024-01931-z. Acesso em junho/2026.


2. Drucker DJ. GLP-1-based therapies for diabetes, obesity and beyond. Nature reviews Drug discovery [Internet]. 2025;10.1038/s41573-02501183-8. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/40281304/. Acesso em junho/2026.


3. Yehya NA. GLP-1 and health: Beyond weight loss in the Ozempic era [Internet]. news. UC Davis Health; 2025. Disponível em: https://health.ucdavis.edu/news/health-wellness/glp-1-and-health-beyond-weight-loss-in-the-ozempic-era/2025/11. Acesso em junho/2026.


4. Nauck MA, Meier JJ. Incretin hormones: Their role in health and disease. Diabetes, obesity & metabolism [Internet]. 2018 Jan 24;20 Suppl 1(S1):5–21. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/29364588. Acesso em junho/2026.


5. Jalleh RJ, Plummer MP, Marathe CS, Umapathysivam MM, Quast DR, Rayner CK, et al. Clinical Consequences of Delayed Gastric Emptying With GLP-1 Receptor Agonists and Tirzepatide. The Journal of Clinical Endocrinology & Metabolism [Internet]. 2024 Oct 17;110(1). Disponível em: https://academic.oup.com/jcem/advance-article/doi/10.1210/clinem/dgae719/7824836. Acesso em junho/2026.


6. Gorgojo-Martínez JJ, Mezquita-Raya P, Carretero-Gómez J, Castro A, Cebrián-Cuenca A, de Torres-Sánchez A, et al. Clinical Recommendations to Manage Gastrointestinal Adverse Events in Patients Treated with Glp-1 Receptor Agonists: A Multidisciplinary Expert Consensus. Journal of Clinical Medicine [Internet]. 2023 Jan 1;12(1):145. Disponível em: https://www.mdpi.com/2077-0383/12/1/145. Acesso em junho/2026.


7. Fahim SA, Attia YM, Messiha A, Nabawy AY, Refaat F, El-Maadawy WH. Comparative safety and side effects of semaglutide and tirzepatide: Implications for clinical decision-making in obesity management. Biomedicine & Pharmacotherapy [Internet]. 2025 Nov 1;193:118731. Disponível em: https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0753332225009254?via%3Dihub#bib36. Acesso em junho/2026.


8. Clista B. Semaglutide Side Effects: Management Strategies and More [Internet]. GoodRx. 2025. Disponível em: https://www.goodrx.com/ozempic/semaglutide-side-effects-management-strategies. Acesso em junho/2026.


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