uma pessoa segurando um rolo de papel higiênico sentada no vaso

Se você já tentou de tudo para controlar as fezes líquidas, o uso de remédios para diarreia pode ser recomendado pelo médico1.

Esses medicamentos, chamados de antidiarreicos, são utilizados para tratar o problema, aliviar os sintomas incômodos e auxiliar na recuperação da função normal do intestino1.

Como se trata de remédios, converse com um profissional de saúde antes de utilizá-los, para entender se essa é, de fato, a melhor alternativa para o seu caso.

Quer saber mais sobre o que tomar para parar a diarreia com segurança?

Continue a leitura para conhecer os principais ativos, entender quando devem ser utilizados, além de descobrir o que pode ser diarreia sem parar e conhecer outros cuidados importantes durante o tratamento para diarreia em adulto.

Resumo

  • Antes de buscar alívio rápido da diarreia, lembre-se de que pode ser um mecanismo natural de defesa do organismo e de que medicamentos só devem ser utilizados com orientação profissional1.
  • Os remédios para diarreia atuam por diferentes mecanismos, como reduzir a secreção de líquidos, adsorver substâncias nocivas ou diminuir a motilidade intestinal, sendo indicados conforme a causa do quadro7.
  • O tratamento para diarreia em adulto deve priorizar a hidratação com soro de reidratação oral, alimentação leve, repouso e consulta médica quando houver sinais de gravidade ou persistência dos sintomas5.
  • Para controlar a diarreia, a principal medida é repor líquidos e eletrólitos. Após o episódio, os suplementos probióticos podem ajudar a recuperar a flora intestinal5.

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Boa leitura!

Como saber se estou com diarreia?

O quadro é caracterizado pela ocorrência de três ou mais evacuações em um período de 24 horas, com fezes de consistência líquida ou aquosa. Por isso, evacuar fezes moles ou pastosas apenas uma vez não caracteriza diarreia, assim como evacuar várias vezes ao dia com fezes de consistência normal4.

Outros sintomas que também indicam o problema são4:

Agora que você sabe o que caracteriza a diarreia, conheça as principais formas de manejo e os cuidados recomendados para favorecer a recuperação.

O que é importante saber antes de buscar alívio rápido da diarreia?

Antes de tentar interromper o quadro, entenda que a diarreia pode ser um mecanismo natural de defesa do organismo para eliminar patógenos, além de ocorrer em situações pontuais de ansiedade e estresse. Por isso, não utilize medicamentos que inibem a motilidade intestinal sem orientação médica1.

Isso porque a retenção de toxinas, vírus ou bactérias no organismo pode dificultar a eliminação desses agentes nocivos, favorecer o agravamento da infecção e aumentar o risco de complicações no trato gastrointestinal1.

O uso de remédios para diarreia específicos deve ser indicado por um médico, quando necessário, para evitar riscos e garantir o tratamento mais adequado1.

Leia também: Tipos de diarreia: conheça as classificações desse sintoma

Como funcionam as classes de medicamentos?

As principais classes de medicamentos utilizadas no manejo da diarreia incluem7:

  • antissecretores: reduzem a secreção de água e eletrólitos para o lúmen intestinal, contribuindo para diminuir a perda de líquidos;
  • adsorventes: ligam-se a toxinas bacterianas, sais biliares e ao excesso de água no intestino, o que favorece a eliminação e aumenta a consistência das fezes;
  • inibidores da motilidade intestinal: reduzem temporariamente os movimentos intestinais, prolongando o tempo de trânsito e favorecendo a absorção de água.

O principal risco dos medicamentos sintomáticos, especialmente dos antimotilidade, é mascarar os sintomas ou agravar casos de diarreia infecciosa. Por isso, não devem ser utilizados de forma rotineira nem sem orientação médica7.

A seguir, entenda em quais situações esses remédios para diarreia podem ser indicados no tratamento.

Quais são os principais remédios para diarreia?

Segundo a Organização Mundial de Gastroenterologia, os medicamentos com maior respaldo científico para o tratamento da diarreia são a loperamida, indicada para casos agudos ou crônicos não infecciosos, e o subsalicilato de bismuto, que pode ser utilizado tanto em quadros infecciosos quanto não infecciosos, conforme avaliação médica1.

A seguir, conheça as características e indicações de cada um em detalhes.

Loperamida

A loperamida é um agente antidiarreico bastante eficaz no tratamento da diarreia aguda e crônica2.

Seu mecanismo de ação consiste na diminuição da motilidade intestinal, o que faz as fezes ficarem mais tempo no intestino (onde a água é absorvida), ajudando a reduzir a frequência das evacuações2.

A dose de loperamida indicada para os quadros diarreicos depende tanto da gravidade como da idade2.

Em geral, a dosagem recomendada para adultos é de 4 mg após cada ida ao banheiro, com uma dose diária máxima de 16 mg2.

Apesar de bem tolerado, o ativo pode provocar efeitos colaterais, como2:

Além disso, fique atento às contraindicações: pessoas que apresentarem sangue nas fezes ou que estiverem com obstrução intestinal não devem usar o remédio2.

Leia também: Virose intestinal: como prevenir? Quanto tempo dura?

Subsalicilato de bismuto

Outro ativo presente em muitos tratamentos hospitalares com remédios para diarreia, e que é considerado seguro, é o subsalicilato de bismuto3.

Seu mecanismo de ação no organismo pode acontecer de diferentes formas3:

  • inibindo a secreção de água no intestino: ajuda a reduzir a frequência e a quantidade de fezes aquosas;
  • aumentando a absorção de água no intestino: contribui para a prevenção da desidratação;
  • efeito antibacteriano: auxiliando na morte de bactérias que podem causar diarreia.

Geralmente, os medicamentos com esse princípio ativo são mais indicados em quadros de diarreia causados por infecções bacterianas, virais e de parasitas, como a Salmonella3.

O uso pode provocar efeitos colaterais, mas esses sintomas variam de pessoa para pessoa3:

  • sabor metálico na boca;
  • náusea e vômito;
  • constipação;
  • fezes escuras.

Já em relação às contraindicações, quem não deve usar o subsalicilato de bismuto são pessoas com3:

  • alergia ao ativo ou outros salicilatos;
  • doenças renais ou úlceras;
  • gota;
  • grávidas ou lactantes.

Agora que você conhece os ativos mais eficazes em remédios para diarreia, entenda um pouco mais sobre o tratamento dessa condição.

Veja também: Fezes moles diariamente: principais causas da alteração intestinal

Quando tomar um remédio para diarreia?

Os antidiarreicos devem ser utilizados apenas quando necessário e com orientação de um profissional de saúde, especialmente em casos persistentes, graves ou acompanhados de sinais de alerta. Em geral, quadros agudos e pontuais podem ser manejados com soro de reidratação oral, alimentação leve e repouso2,3.

Além dos possíveis efeitos colaterais, esses remédios para diarreia apresentam contraindicações importantes e podem causar interações com outros remédios2,3.

Por isso, conversar com um médico antes de utilizá-los é fundamental para reduzir riscos e garantir o uso adequado2,3.

Como conduzir o tratamento para diarreia em adulto?

Independentemente da causa, os cuidados básicos incluem manter uma boa hidratação, com ingestão de água e soro de reidratação oral, além de seguir uma alimentação leve, como a dieta BRAT. Essas medidas podem ser adotadas em casa por um a três dias, conforme a evolução do quadro5.

Caso o quadro não melhore, o Ministério da Saúde recomenda os seguintes planos de manejo5:

  • Plano B: tratamento em ambiente hospitalar, com administração de soro de reidratação. Se houver melhora do quadro, o paciente pode continuar o tratamento em casa, seguindo o Plano A;
  • Plano C: internação hospitalar para monitorar e corrigir os níveis de hidratação e nutrição, com reposição por via oral e/ou intravenosa, conforme a necessidade.

Leia também: Alimentos que cortam a diarreia: saiba o que comer

O que tomar para parar a diarreia?

O tratamento deve priorizar o repouso e a reposição de líquidos e eletrólitos. Por isso, o soro de reidratação oral é a principal recomendação, já que a água, isoladamente, não repõe minerais como sódio e potássio. Essa medida favorece a recuperação e ajuda a prevenir a desidratação5.

Além dessas medidas, o uso de suplementos alimentares, como os probióticos repositores de flora, pode reduzir os sintomas e restabelecer o equilíbrio da microbiota intestinal, favorecendo o funcionamento adequado do sistema digestivo5.

Leia também: Saiba quando tomar probióticos e como agem no intestino

O que pode ser diarreia sem parar?

A persistência dos sintomas pode estar relacionada a infecção bacteriana, intoxicação alimentar grave, uso de antibióticos ou doenças inflamatórias intestinais crônicas, entre outras possíveis causas. Se o quadro persistir por mais de cinco a sete dias, mesmo com os cuidados iniciais, busque atendimento em uma unidade de saúde4.

Além da duração prolongada dos sintomas, outros sinais de alerta que podem indicar um quadro mais grave incluem4:

  • febre alta persistente;
  • presença de muco ou sangue nas fezes;
  • dor abdominal intensa;
  • vômitos recorrentes;
  • sinais importantes de desidratação, como boca seca, diminuição ou ausência de urina e tontura ao se levantar.

Nessas situações, as medidas caseiras podem não ser suficientes, sendo fundamental buscar orientação médica imediatamente para avaliação e tratamento adequados4.

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Sobre o autor

Dr. Márcio de Queiroz Elias

Trabalha na indústria Farmacêutica desde os anos 2000, vindo a atuar nas áreas de Saúde Feminina, Consumer Health, Clínica Geral, Pediatria, Dor e Inflamaç

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