A doença celíaca é uma condição autoimune e hereditária caracterizada pela intolerância ao glúten, uma proteína encontrada em cereais, como trigo, cevada e aveia. Se você que apresenta esse quadro, pode sofrer inflamações recorrentes e problemas no intestino delgado, mesmo após ingerir pequenas quantidades desse nutriente. 1,2
Infelizmente, por ser uma doença crônica, não existe cura e há um risco elevado de complicações de saúde caso não receba o tratamento adequado. As ameaças incluem problemas no desenvolvimento infantil, deficiência de vitaminas e câncer. 1
Cerca de 6% a 8% dos celíacos não tratados por períodos superiores a 20 anos desenvolvem linfomas no intestino delgado e outros cânceres associados ao glúten. 1
Desse modo, o diagnóstico precoce é muito importante para a sua qualidade de vida. Afinal, o cuidado com a dieta é a única maneira de preservar o bem-estar e prevenir os riscos. Para ajudá-lo, esse post traz um guia completo com o que causa, quais os sintomas, como identificar e como é o tratamento da doença celíaca. 1
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Resumo:
- A doença celíaca é uma forma crônica e hereditária de intolerância ao glúten, um tipo de proteína encontrada em alimentos como trigo, cevada e aveia. 1;
- A ingestão do nutriente provoca uma resposta autoimune que inflama o tecido que reveste os intestinos, principalmente no intestino delgado. Consequentemente, pode causar sintomas variados, como diarreia, desnutrição, fraqueza e perda de peso. 1;
- A inflamação do tecido intestinal prejudica a absorção de outras vitaminas e minerais, o que pode causar anemia, desnutrição e problemas ósseos. As crianças podem apresentar distúrbios do desenvolvimento e baixa estatura. 1;
Também há risco de infertilidade, doenças nos ossos e articulações, problemas dentários, erupções cutâneas dolorosas e, em certas condições, maiores chances de desenvolver câncer no trato digestivo, principalmente linfomas no intestino delgado. 1.
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O que é doença celíaca?
A doença celíaca é uma condição crônica, hereditária e autoimune causada pela intolerância ao glúten. O glúten é uma proteína encontrada em muitos alimentos, principalmente da classe dos cereais, como trigo, cevada, aveia e outros. ¹
Se você é celíaco e consumir glúten, mesmo que em pequenas quantidades, pode desenvolver uma inflamação no trato digestivo. Geralmente, a área atingida é o revestimento da mucosa intestinal no intestino delgado, uma zona diretamente envolvida na absorção de nutrientes. 1
Esse processo inflamatório acontece porque o seu organismo identifica o glúten como uma ameaça. Consequentemente, a ingestão da proteína estimula a produção de anticorpos que atacam o próprio corpo.1
Conforme mencionado, essa situação provoca atrofia no revestimento do intestino delgado e pode prejudicar o seu funcionamento. Ou seja, a absorção de importantes nutrientes é comprometida, com destaque para deficiências de vitamina B12, cálcio e ferro. 1,3
Ao definir o que é a doença celíaca e quais as causas desse quadro, é importante apontar que se trata de uma condição hereditária. Basicamente, a intolerância ao glúten ocorre devido a fatores genéticos. 1
Você tem maiores chances de apresentar essa doença se for descendente de países do norte da Europa. Além disso, se um parente de primeiro grau tiver esse diagnóstico, a probabilidade de ser celíaco é de 10%. 1,3
Por fim, 97% das pessoas diagnosticadas com a condição compartilham uma variação notável nos genes HLA-DQ2 ou HLA-DQ8. 1,3
Principais sintomas de doença celíaca
Você pode apresentar sinais da condição desde a infância ou apenas depois de atingir a vida adulta. Em crianças, os principais sintomas de doença celíaca incluem: 1
- desconforto estomacal;
- distensão abdominal;
- fezes volumosas e de odor excepcionalmente fétido;
- fezes opacas;
- lentidão no crescimento;
- aparência pálida e apática;
- formigamento nos membros;
- dores nas articulações;
- atraso ou alteração no ciclo menstrual.
Para os adultos, o quadro clínico da doença celíaca consiste em: 1
- diarreia;
- gases;
- sensação de inchaço estomacal;
- constipação;
- fezes de aparência oleosa ou gordurosa;
- perda de peso sem motivos aparentes;
- feridas na boca;
- língua inflamada;
- erupções cutâneas doloridas, com bolhas e coceira intensa.
Além disso, é importante mencionar os sintomas de anemia relacionada à deficiência de ferro, como: 3
- fadiga;
- palidez;
- mãos frias;
- unhas quebradiças;
- cefaleias constantes.
Para saber se você tem intolerância ao glúten, o primeiro passo é perceber como o seu organismo reage ao consumir a proteína. Afinal, como funciona o intestino de um celíaco? 1,2,3
Por mais que muitas pessoas apresentem os sintomas ainda na infância, outras podem consumir glúten normalmente por anos e desenvolver a intolerância somente na fase adulta. 1,2,3
Por isso, conhecer os sintomas da condição é tão importante. Assim, caso o seu organismo se mostre intolerante à proteína em qualquer momento, você conseguirá identificar a alteração. 1,2,3
Quando não diagnosticada e tratada, a doença pode causar condições de saúde mais graves, como falaremos adiante. 1,2,3
Quais são os riscos da doença celíaca?
Antes de explicar quais são os riscos da doença celíaca, destacamos que a maioria das complicações ocorre devido ao consumo prolongado de glúten. Em condições normais, a ingestão ocasional e mínima da proteína pode provocar, principalmente, problemas digestivos, como diarreia, inchaço, gases e alterações nas fezes. 1,3
Por outro lado, se você continuar a comer alimentos ricos em glúten apesar do diagnóstico, as consequências podem ser severas e de longo prazo. A maioria está relacionada aos efeitos da subnutrição, que compromete tanto o sistema nervoso quanto o desenvolvimento musculoesquelético. 1,3
Se você desenvolve o quadro após adulto, esse cenário pode ser reversível. No entanto, os efeitos da doença celíaca para o crescimento infantil são difíceis de recuperar. 1,3
E vale lembrar que se trata de uma condição hereditária, com 10% de chances de passar de pais para filhos. Logo, para assegurar o desenvolvimento saudável dos pequenos, é recomendado procurar o diagnóstico assim que possível. 1,3
O que a doença celíaca pode causar?
Para expandir os riscos apontados anteriormente, veja o que a doença celíaca pode causar:
1. Problemas no intestino delgado
Se você é celíaco, consumir glúten pode gerar uma inflamação imediata da superfície ciliada do trato intestinal.
Os problemas no intestino delgado são provocados pela ação de anticorpos que invadem o trato digestivo para “combater” o glúten. No entanto, por se tratar de uma reação exagerada e inadequada do sistema imune, as células de defesa danificam e achatam a camada responsável pela absorção de nutrientes.
Todo esse processo dá origem ao mal-estar e alterações do trato digestivo mencionadas entre os sintomas da doença celíaca, como diarreia e fezes gordurosas.
2. Deficiências nutricionais
Por essa nutrição prejudicada, a pessoa celíaca pode desenvolver uma série de problemas e doenças causadas pela falta de determinadas vitaminas e minerais. 1
A condição pode ser associada a outras alterações nutricionais comuns, como ingestão elevada de gorduras e baixo consumo de fibras, carboidratos, vitaminas e minerais. 4
Em geral, os principais exemplos de deficiência nutricional entre celíacos são: 4
- vitamina D;
- vitamina E;
- vitaminas do complexo B, principalmente B12;
- ferro;
- cálcio.
3. Anemia
Ainda sobre as deficiências nutricionais, é importante destacar a anemia, doença causada pela deficiência de ferro. Com a má absorção, o seu corpo não consegue quebrar e assimilar adequadamente os minerais. 1
O ferro é essencial para a formação dos glóbulos vermelhos no sangue, também conhecidos como hemoglobina. Essa molécula é essencial para o transporte de oxigênio na corrente sanguínea e pode causar vários sintomas quando está em falta. 1
Nos casos mais leves, você sente fadiga e fraqueza muscular. Já nos mais severos, pode sofrer com tontura, sudorese excessiva, pulso fraco, respiração acelerada, cãibras dolorosas e desmaios. 1
4. Enfraquecimento dos ossos
Um processo similar ocorre com a absorção de cálcio, que é amplamente comprometida. Consequentemente, você pode desenvolver osteoporose, osteopenia e outras doenças relacionadas à perda de volume ósseo. 1
Com os ossos fracos e porosos, há um maior risco de fraturas, lesões e problemas na manutenção da estrutura musculoesquelética. 1
5. Dermatite herpetiforme
10% dos casos de doença celíaca podem desenvolver o quadro de dermatite herpetiforme. Se você está nesse grupo, pode desenvolver erupções cutâneas bastante dolorosas com frequência. Essas lesões coçam muito e formam bolhas na pele. 1
6. Problemas de fertilidade
Para homens e mulheres adultas, a doença celíaca pode gerar problemas de fertilidade e dificultar os planos de quem pretende ter filhos. 1
7. Anormalidades do crescimento infantil
Associado à baixa absorção de cálcio, crianças celíacas podem sofrer anormalidades no crescimento. Nesse contexto, as principais sequelas são lentidão no desenvolvimento, alto risco de fraturas e baixa estatura. 1
8. Complicações relacionadas à má absorção de vitamina B12
Conforme mencionado, a inflamação no intestino delgado prejudica a absorção de vitaminas do complexo B, principalmente a B12. Esse nutriente é essencial para a manutenção dos nervos e a sua deficiência pode resultar em lesões e formigamento constante nos braços e pernas. 1
9. Feridas na boca e na língua
As inflamações na língua e feridas na boca surgem, principalmente, nos casos de anemia associados à doença celíaca. 1,3
10. Problemas dentários
A falta de cálcio também afeta os dentes e a manutenção do esmalte externo. Nesse cenário, além de amarelos e enfraquecidos, há maior risco de cáries dolorosas. 1
11. Outros
Por fim, podemos destacar outras condições que surgem como possíveis complicações de longo prazo relacionadas à doença celíaca: 3
- raquitismo em crianças;
- transtornos de atenção e dificuldades de aprendizado;
- alterações do sistema nervoso, como espasmos musculares, neuropatias periféricas e ataxia (distúrbio de falta de equilíbrio e coordenação motora);
- baixa imunidade;
- intolerâncias alimentares adicionais, como à lactose;
- úlceras intestinais;
- doenças hepáticas;
- câncer.
Prognóstico do quadro clínico da doença celíaca
O diagnóstico e tratamento adequado são medidas essenciais para proteger o bem-estar das pessoas afetadas por esse tipo de intolerância alimentar. Na maioria dos casos, apesar de não haver cura, o prognóstico do quadro clínico da doença celíaca é positivo. 1,2,3
Ao limitar a ingestão de glúten, você pode interromper as inflamações recorrentes e desfrutar de excelente qualidade de vida, livre de sintomas. 1,2,3
Por outro lado, o consumo contínuo e por tempo prolongado de glúten entre os celíacos pode aumentar o risco de vários tipos de câncer do sistema digestivo. O mais comum é o linfoma do intestino delgado, problema que afeta entre 6% e 8% das pessoas que vivem com a doença sem tratamento por mais de duas décadas. 1,2,3
Como é feito o diagnóstico de doença celíaca?
Quando se trata de como é feito o diagnóstico de doença celíaca, o primeiro passo é listar os sintomas e procurar um médico. Ao investigar o quadro clínico e analisar as possibilidades, o especialista pode avaliar adequadamente o risco de intolerância ao glúten. ²
Após essa etapa, você deve realizar exames específicos, como teste de intolerância ao glúten, que serve para medir os níveis de anticorpos gerados após exposição à proteína. Posteriormente, o médico pode recomendar a biópsia do intestino delgado, para uma avaliação mais precisa dos danos sofridos pelo revestimento intestinal. 1,2
Para tirar qualquer dúvida, confira o passo a passo em detalhes:
1. Investigação de sintomas
Tudo começa com uma análise cuidadosa dos sintomas associados e características relevantes do quadro, como idade do paciente, histórico familiar, dieta, hábitos e outros. Você pode desconfiar desse distúrbio ao notar problemas digestivos após consumir produtos à base de glúten ou trigo. 1,2
Como citado, a reação adversa no organismo ocorre logo após ingerir esse tipo de proteína. Além de diarreia e mal-estar, lembre-se de que, diferentemente de outras formas de intolerância alimentar, a doença celíaca provoca danos consideráveis aos intestinos. 1,2
2. Medição dos níveis de anticorpos
Adiante falaremos melhor sobre o teste de intolerância ao glúten. Nessa etapa, explicaremos apenas o objetivo do exame, que é medir os níveis de anticorpos gerados no organismo que podem estar relacionados ao consumo da proteína dos cereais. 1,2
Esse processo é feito com uma simples coleta de amostra de sangue, que será analisada em laboratório à procura de anticorpos antitransglutaminase e antiendomísio. 1,2
3. Biópsia do intestino delgado
Geralmente, após testes de sangue indicarem possibilidade elevada de doença celíaca, o médico pode pedir a realização de biópsia do intestino delgado. Para esse procedimento, é feita uma endoscopia do trato digestivo, com a inserção de uma câmara para guiar os instrumentos até o duodeno (camada superior do intestino delgado). 3
Nesse local, o profissional passa um cateter e coleta uma amostra de tecido da superfície ciliada do intestino para analisar a extensão dos danos.
4. Exames adicionais para identificar deficiências de vitaminas
Para complementar o diagnóstico e adequar o tratamento, você também deve realizar testes adicionais para medir os níveis de nutrientes essenciais para a saúde. 3
Como a má absorção é uma das principais características da doença celíaca, esse tipo de exame pode diagnosticar quadros de hipovitaminose, anemia e deficiência de eletrólitos. 3
Teste de intolerância ao glúten: quando fazer?
Se você sente os sintomas de doença celíaca ao consumir glúten e acredita que possa ter intolerância à proteína, deve conversar com seu médico para fazer o teste.
O teste de intolerância ao glúten é um exame de sangue utilizado para identificar como o seu intestino reage ao consumo dessa proteína. ²
Conforme explicado, mede o nível de anticorpos contra o glúten no organismo. Lembra que um celíaco, ao comer produtos com glúten, produz anticorpos que atacam as paredes do intestino? Se você tem doença celíaca, o teste irá identificar a presença dessas células de defesa. 1,2
Esse teste é interessante para diagnosticar a condição, mas também é usado no controle da doença, com repetições posteriores para avaliar como o seu organismo celíaco responde a uma dieta sem glúten. ²
Como é o tratamento da doença celíaca?
O tratamento dessa doença consiste, basicamente, em definir uma nova dieta alimentar que exclui o glúten. Até mesmo em pequenas quantidades, essa proteína pode causar os sintomas de doença celíaca, por isso, o melhor a se fazer é evitar completamente. ²
A doença celíaca é uma condição crônica, ou seja, sem cura, portanto, essa adaptação alimentar deve ser seguida até o final da vida da pessoa diagnosticada. ²
Assim que os alimentos com glúten são cortados, a pessoa já consegue ter uma melhora dos sintomas, e o intestino delgado passa a fazer a absorção de nutrientes normalmente.¹
Em alguns casos, o médico pode indicar a suplementação de algumas vitaminas. 1,3
Veja como é o tratamento da doença celíaca na prática:
1. Adoção de dieta sem glúten
Aqui não há segredo, o foco é montar uma dieta totalmente livre de glúten. Imediatamente após interromper o consumo da proteína, você poderá sentir uma melhora dos sintomas digestivos relacionados à intolerância alimentar. 1,3
2. Suplementação de vitaminas
Se você é celíaco e apresenta sequelas da má absorção de nutrientes, certamente deve fazer suplementos de vitaminas e minerais. A recomendação do médico é feita com base nos exames de diagnóstico. 1,3
Além disso, os níveis devem ser monitorados periodicamente para avaliar o processo de recuperação. 1,3
3. Prevenção da contaminação cruzada
A contaminação cruzada ocorre quando há uma transferência direta ou indireta de contaminantes em meio ao processamento e manipulação dos alimentos. Por segurança, os celíacos devem consumir apenas alimentos feitos em cozinhas descontaminadas e precisam ficar atentos aos rótulos de produtos industrializados.1,3
4. Consumo de probióticos
A dieta sem glúten é a base de uma vida saudável para você que é celíaco. Para complementar esse cuidado, assim como a suplementação de vitaminas, o médico pode recomendar o consumo de probióticos. 5
Esses agentes são importantes para regular a microbiota intestinal e são potencialmente benéficos para promover a qualidade de vida de quem convive com a intolerância ao glúten. 5
5. Tratamento de casos severos
Para crianças com quadros graves relacionados à intolerância ao glúten, pode ser necessário normalizar os níveis nutricionais por meio de alimentação intravenosa. Esse tratamento é feito antes de iniciar uma nova dieta para manejo da doença celíaca. 1
Além disso, 5% das pessoas celíacas não apresentam essa resposta positiva ao mudarem suas dietas. Esses casos são mais severos e são classificados como doença celíaca refratária. Para o tratamento, pode ser necessário o uso de corticoides para controlar a resposta inflamatória. 1,3
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Sobre o autor
Dr. Márcio de Queiroz Elias
Trabalha na indústria Farmacêutica desde os anos 2000, vindo a atuar nas áreas de Saúde Feminina, Consumer Health, Clínica Geral, Pediatria, Dor e Inflamação, Reumatologia, Similares e genéricos.
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