Imagem do post Bifidobacterium lactis: benefícios e como escolher um probiótico

Nos últimos anos, houve um interesse crescente em relação aos probióticos e aos seus efeitos na saúde. Entre os diversos tipos disponíveis no mercado, o Bifidobacterium lactis (BB-12) é um dos mais conhecidos e consumidos, devido às suas propriedades e benefícios¹.

Segundo dados do IFF Health Sciences, 28% dos brasileiros consomem probióticos, e 44% utilizam esses suplementos por recomendação de nutricionistas 9.

Diante desse cenário, será que essa é a opção ideal de probiótico para regular o intestino?

Neste artigo, você entenderá para que serve o BB-12, quais são as diferenças em relação à bactéria Lactococcus lactis, qual é a eficácia dos probióticos para intolerantes à lactose e como o uso pode contribuir para a melhora da saúde intestinal.

Resumo

  • Bifidobacterium lactis é uma bactéria probiótica presente naturalmente no intestino, especialmente no cólon, que contribui para o equilíbrio da microbiota1.
  • Seu consumo regular auxilia na digestão, fortalece o sistema imunológico e melhora a regularidade intestinal1.
  • O Lactococcus lactis é amplamente utilizado na fermentação de alimentos lácteos. Já o BB-12 atua como probiótico intestinal1,11.
  • Para escolher a melhor opção, é fundamental considerar a cepa, a quantidade de UFC garantida, as evidências clínicas, as condições de armazenamento e a necessidade de fórmulas sem lactose14.

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Boa leitura!

O que é Bifidobacterium lactis?

É uma bactéria probiótica que ajuda a manter o equilíbrio da microbiota intestinal. Esse microrganismo pertence à família das bifidobactérias, um dos grupos de probióticos mais pesquisados no mundo, considerado essencial para a saúde do intestino. Vive naturalmente no trato gastrointestinal, com maior concentração no cólon1.

As pesquisas clínicas mostram que os probióticos desempenham um papel essencial na saúde geral do organismo. No entanto, os principais estudos se concentram na saúde gastrointestinal e na função imunológica10.

Nesse contexto, o Bifidobacterium animalis subsp. lactis (BB-12), ao ser consumido, é capaz de sobreviver aos ácidos digestivos10.

O principal benefício é a melhora da função intestinal, pois esse microrganismo ajuda a proteger contra diarreias, auxilia no funcionamento e pode reduzir os efeitos colaterais do tratamento com antibióticos10.

Em relação à função imunológica, estudos clínicos demonstram que o BB-12 pode aumentar a resistência do corpo a infecções respiratórias comuns, bem como reduzir a incidência de quadros agudos10.

Leia também: Quais são os 3 melhores probióticos para o intestino? Lista!

Para que serve o Bifidobacterium lactis?

O consumo regular desse probiótico oferece diversos benefícios, como melhorar o processo digestivo, fortalecer o sistema imunológico e reduzir a incidência e a duração da diarreia. Além disso, auxilia na digestão da lactose, contribui para diminuir sintomas da síndrome do intestino irritável e ajuda na prevenção de infecções intestinais1.

A seguir, conheça, em detalhes, cada um desses benefícios.

Melhorar a digestão

Uma das principais vantagens dos probióticos para a saúde é a melhora da digestão. Ou seja, do aproveitamento dos nutrientes consumidos pelo organismo¹.

Neste caso, o Bifidobacterium lactis recebe destaque, uma vez que auxilia na quebra enzimática de alimentos complexos, o que facilita a sua absorção¹.

Diferentemente do que muitos pensam, a digestão é um processo que começa no estômago, mas é, de fato, realizado no intestino².

Dessa forma, esse probiótico ajuda a reduzir o trânsito intestinal, a partir da estimulação dos movimentos intestinais. Logo, a digestão tende a ser mais rápida e eficiente¹.

Fortalecer o sistema imunológico

Outro benefício do BB-12 é o fortalecimento do sistema imunológico. Estudos demonstram que o consumo regular pode melhorar a resposta imunológica¹.

Além disso, o probiótico atua na manutenção da barreira intestinal, que é um dos mecanismos de defesa do organismo¹.

Quando essa barreira está íntegra, agentes patogênicos enfrentam dificuldades para ultrapassá-la e causar doenças¹.

Reduzir a incidência e a duração da diarreia

A bactéria probiótica também tem sido associada à redução da incidência e duração da diarreia³.

Isso porque, segundo estudos, a cepa BB-12 em específico consegue atuar, direta ou indiretamente, na3:

  • modulação imunológica;
  • produção de agentes antimicrobianos (substâncias que inibem a proliferação de bactérias patogênicas);
  • manutenção da barreira intestinal.

Além disso, o probiótico atua na restauração da microbiota intestinal, que pode se desequilibrar em quadros de diarreia³.

Leia também: Remédio para repor a flora intestinal: 7 tipos + onde comprar?

Auxiliar na digestão da lactose

Lembra que o BB-12 pode ajudar na digestão de nutrientes1? Pois bem, esse probiótico é especialmente útil para pessoas com intolerância à lactose, uma vez que contribui para a absorção de substâncias lácteas4.

Além disso, o probiótico auxilia na redução de sintomas gastrointestinais, como inchaço, gases e diarreia, comuns quando pessoas intolerantes consomem produtos lácteos4.

Diminuir sintomas da síndrome do intestino irritável

A síndrome do intestino irritável (SII) é um distúrbio gastrointestinal que causa desconforto abdominal, dor e alterações no padrão de evacuação5. O problema afeta de 12% a 15% da população mundial6.

Como a SII é uma condição crônica, ou seja, sem cura, o foco é no cuidado diário para amenizar os sintomas. Entre as abordagens indicadas, o uso de probióticos pode ser recomendado6.

No entanto, é importante saber que existem diversos tipos, com finalidades diferentes¹.

Para esse caso, em específico, pesquisas sugerem que o consumo de Bifidobacterium lactis pode ajudar a aliviar os sintomas da SII, pois melhora a saúde intestinal e reduz a inflamação no trato gastrointestinal7.

Ajudar na prevenção de infecções intestinais

As infecções intestinais podem ser causadas por bactérias patogênicas que invadem o trato gastrointestinal¹.

Estudos demonstram que o Bifidobacterium lactis pode ajudar a prevenir infecções intestinais, já que combate as bactérias patogênicas e fortalece as defesas naturais do organismo, especialmente com a manutenção da barreira intestinal¹.

Qual a diferença entre a bactéria Lactococcus lactis e o Bifidobacterium?

A principal diferença está na classificação, no metabolismo e nas aplicações de cada uma. Enquanto o Bifidobacterium vive naturalmente no cólon intestinal e é amplamente utilizado como probiótico, o Lactococcus lactis é empregado na indústria de laticínios na fermentação de produtos como queijos e iogurtes1,11.

No processo de metabolismo, a bactéria probiótica fermenta carboidratos, produzindo ácidos graxos, como o acetato, e ácido lático, que auxiliam na geração de energia no organismo1.

Já o Lactococcus lactis realiza um processo chamado homofermentação, que gera principalmente ácido lático a partir da lactose ou da glicose11.

Dessa forma, a escolha depende do objetivo desejado. O BB-12 é mais indicado para a saúde intestinal, enquanto o L. lactis pode contribuir para a modulação do sistema imunológico1,11.

Leia também: Lactobacillus acidophilus: quais os benefícios + onde encontrar?

Qual é a dosagem usual de Bifidobacterium?

A dosagem da cepa BB-12 geralmente varia entre 1 bilhão e 10 bilhões de UFC (Unidades Formadoras de Colônia) por dia. Outras cepas, como NCC2818, costumam ficar em torno de 1 bilhão, enquanto a HN019 pode chegar a 10 bilhões ou mais de UFC, conforme o objetivo de uso10,12.

Um estudo com a cepa HN019 demonstrou que a suplementação aumentou significativamente o número de bifidobactérias no intestino e reduziu a contagem de microrganismos infecciosos12.

Esses resultados indicam que a cepa é um probiótico eficaz, especialmente para pessoas idosas, e que mesmo a dose mais baixa (65 milhões de UFC) pode promover as alterações desejadas na microbiota intestinal12.

Dessa forma, o uso adequadamente orientado e na dosagem correta pode proporcionar benefícios ao intestino e à saúde.

Probióticos para intolerantes à lactose são eficazes?

Sim. Esses microrganismos podem ajudar a controlar sintomas comuns da intolerância, como gases, inchaço e dor abdominal, além de contribuírem para a digestão da lactose ao estimular a produção da enzima lactase. Nesse contexto, podem ser utilizados produtos combinados (lactase + probiótico) ou que contêm diferentes cepas, como Lactobacillus e bifidobactérias13.

É fundamental destacar que esse tipo de suplemento atua como um auxílio, e não como cura da intolerância13.

Portanto, é indispensável consultar um médico para seguir um protocolo adequado, com a dosagem correta, além de associar outros cuidados, como a ingestão de fibras solúveis13.

Como escolher um probiótico para regular o intestino?

As dicas para usar a opção ideal incluem14:

  • identificar corretamente a cepa utilizada;
  • verificar se a quantidade de UFC é garantida pelo fabricante até o fim da validade;
  • seguir corretamente as orientações de armazenamento para preservar a estabilidade da fórmula;
  • validar, com um médico, as evidências clínicas da opção escolhida;
  • optar por versões sem lactose, quando necessário.

É importante ressaltar que, como qualquer suplemento alimentar, é necessário consultar um profissional de saúde antes de iniciar o consumo de um probiótico, como o Bifidobacterium lactis.

Além disso, os ganhos para a saúde citados ao longo do artigo foram comprovados em indivíduos saudáveis, com função intestinal e imunológica equilibrada. Portanto, manter bons hábitos é crucial para se beneficiar do uso desse suplemento¹.

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Tamarine Familia Probioticos

Sobre o autor

Dr. Márcio de Queiroz Elias

Trabalha na indústria Farmacêutica desde os anos 2000, vindo a atuar nas áreas de Saúde Feminina, Consumer Health, Clínica Geral, Pediatria, Dor e Inflamação, Reumatologia, Similares e genéricos.

Conheça o autor

1. Cheng J, Laitila A, Ouwehand AC. Bifidobacterium animalis subsp. lactis HN019 Effects on Gut Health: A Review. Frontiers in Nutrition. 2021 Dec 14;8.Disponível em https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC8712437/. Acesso em outubro/2023.


2. Nacional Institute of Diabetes and Digestive and Kidney Diseases. Your Digestive System & How it Works. Disponível em https://www.niddk.nih.gov/health-information/digestive-diseases/digestive-system-how-it-works. Acesso em outubro/2023.


3. Abou El-Soud NH, Said RN, Mosalam DS, Barakat NAM, Sabry MA. Bifidobacterium lactis in Treatment of Children with Acute Diarrhea. A Randomized Double Blind Controlled Trial. Open Access Macedonian Journal of Medical Sciences. 2015 Aug 7;3(3):403–7. Disponível em https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC4877827/. Acesso em outubro/2023.


4. Rasinkangas P, Forssten SD, Marttinen M, Ibarra A, Bothe G, Junnila J, et al. Bifidobacterium Animalis Subsp. Lactis Bi-07 Supports Lactose Digestion in Vitro and in Randomized, Placebo and Lactase -controlled Clinical Trials. The American Journal of Clinical Nutrition. 2022 Sep 23. Disponível em https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/36149331/. Acesso em outubro/2023.


5. Moleski SM. Síndrome do intestino irritável (SII) [Internet]. Manuais MSD edição para profissionais. Manuais MSD; 2020. Disponível em https://www.msdmanuals.com/pt-br/profissional/distúrbios-gastrointestinais/síndrome-do-intestino-irritável-sii/síndrome-do-intestino-irritável-sii. Acesso em outubro/2023.


6. Hadley SK, Gaarder SM. Treatment of Irritable Bowel Syndrome. American Family Physician [Internet]. 2005 Dec 15;72(12):2501–8. Disponível em https://www.aafp.org/pubs/afp/issues/2005/1215/p2501.html. Acesso em outubro/2023.


7. Lee BJ, Bak Y-T. Irritable Bowel Syndrome, Gut Microbiota and Probiotics. Journal of Neurogastroenterology and Motility [Internet]. 2011 Jul 31 [cited 2019 Nov 18];17(3):252–66. Disponível em https://www.jnmjournal.org/journal/view.html?uid=2&vmd=Full. Acesso em outubro/2023.


8. Dempsey E, Corr SC. Lactobacillus spp. for Gastrointestinal Health: Current and Future Perspectives. Frontiers in Immunology [Internet]. 2022 Apr 6;13:840245. Disponível em https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC9019120/. Acesso em outubro/2023.


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