A digestão transforma alimentos em nutrientes para o corpo e garante a eliminação de substâncias nocivas ou inúteis para o organismo. E o ácido gástrico, que muitas pessoas conhecem como suco gástrico, é um componente relevante neste processo. 1,2
A comida sofre a ação de enzimas salivares ainda na boca para iniciar a quebra dos nutrientes presentes nos alimentos. Em seguida, o esôfago transporta este bolo alimentar até o estômago. O órgão fica responsável por armazenar e quebrar moléculas importantes. O bom funcionamento desta etapa facilita o papel do intestino, onde ocorre a absorção das vitaminas e outros materiais que abastecem o corpo humano. 1,2
Neste artigo, você vai compreender detalhadamente a função do ácido gástrico, sua formação e hábitos que ajudam a regular sua quantidade.
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Resumo
- As células do estômago produzem ácido gástrico, uma solução que contém pepsinogênio, fator intrínseco, ácido clorídrico e muco. 1,2
- O papel do suco gástrico é garantir a digestão de substâncias como proteínas e carboidratos, proteger o corpo de infecções e promover a absorção de nutrientes.3,5
- Sintomas como queimação, azia e sensação de saciedade precoce indicam desequilíbrio na produção de suco gástrico e exigem atenção médica. 4,6
- Hábitos saudáveis, como uma dieta rica em fibras, evitar refeições pesadas à noite e controlar o estresse, ajudam a manter o ácido gástrico em níveis adequados. 4
O que é e qual a função do ácido gástrico?
O suco gástrico é uma solução produzida pelas células do nosso estômago. Tem quatro substâncias em sua composição: 1,2
- ácido clorídrico;
- fator intrínseco;
- pepsinogênio;
- muco.
Por meio desses componentes, desempenha atividades relevantes para o corpo. Protege nosso organismo contra contaminações por bactérias e fungos e garante a adequada digestão de carboidratos e proteínas. Este procedimento é essencial, pois, caso contrário, poderá provocar a fermentação desses alimentos em nosso intestino, o que acarreta sintomas incômodos como inchaço abdominal e dores. 1,2,5
Além disso, o suco gástrico atua para a correta absorção de elementos como vitamina B12, zinco, ferro, cálcio e magnésio. 5
Confira abaixo como cada integrante do ácido gástrico influencia essas tarefas.
1. Ácido Clorídrico
O ácido clorídrico transforma o pepsinogênio em pepsina que, por sua vez, é uma enzima ativa essencial para a digestão de proteínas.
Também é essencial para nos proteger contra infecções. Afinal, o ambiente ácido mata a maioria das bactérias e outros elementos nocivos que podem desencadear doenças. 1,2,3
2. Fator intrínseco
Já o fator intrínseco possibilita a absorção de vitamina B12 pelo intestino delgado. Essa substância é fundamental para manter a produção das hemácias em nossa medula óssea, que são as células vermelhas do sangue. 2,5
É por isso que pessoas que apresentam redução na produção de ácido gástrico podem desenvolver anemia. É o caso de pacientes que sofrem com gastrite crônica, por exemplo. 5
3. Pepsinogênio
Como dissemos anteriormente, o pepsinogênio atua em uma relação de dependência com o ácido clorídrico. O componente precisa de um pH baixo para se converter em pepsina e decompor as proteínas dos alimentos. Também auxilia na defesa da mucosa. 2
4. Muco
Nosso corpo produz em média três litros de ácido gástrico por dia. E você já deve ter se perguntado por que essa solução não queima nosso estômago? Isso é possível por alguns fatores e, entre eles, está o muco. Trata-se de uma solução gelatinosa que reveste as paredes do órgão. 1,2
O que faz aumentar o ácido gástrico?
O ácido gástrico não é capaz de correr as paredes do estômago ou afetar outras partes do corpo porque existem mecanismos de proteção. Além do muco, o organismo tem células que liberam bicarbonato de sódio. O intuito é formar uma barreira química que impede o contato com substâncias ácidas. 3
No entanto, alterações da saúde digestiva podem provocar o aumento de suco gástrico. Consequentemente, essas medidas preventivas falham e geram incômodos para o indivíduo. 3,5
Os principais fatores de risco para essa condição são: 4
- estresse;
- consumo frequente de bebidas alcoólicas;
- excesso de cafeína, condimentos e temperos prontos no preparo de alimentos;
- uso frequente de medicamentos específicos, como algumas classes de calmantes e ibuprofeno;
- tabagismo.
A elevação na quantidade de ácido gástrico gera questões de saúde como úlceras, gastrite e Doença do Refluxo Gastroesofágico. 4,6
Por isso, fique atento aos seguintes sintomas que sinalizam que algo não vai bem com o seu estômago: 4,6
- dores ou queimação;
- náuseas;
- vômitos;
- abdome endurecido;
- azia;
- sensação de saciedade precoce.
Em caso de persistência desses ou outros incômodos, procure um gastroenterologista. Vale lembrar que existem quadros graves de úlceras que podem gerar hemorragia interna e demandam intervenção imediata. Portanto, ao perceber que não se trata de um quadro pontual, busque tratamento especializado.
Quais hábitos ajudam a controlar o ácido gástrico?
Manter o nível de acidez estomacal sob controle é possível. Veja quais atitudes você pode adotar para garantir este equilíbrio e minimizar o risco de doenças digestivas:
- ter uma dieta equilibrada é essencial e isto significa priorizar alimentos ricos em fibras e reduzir a ingestão de comidas gordurosas ou picantes, além de bebidas alcoólicas; 2,4
- optar por porções menores durante as refeições, já que grandes volumes de alimentos pressionam o esfíncter esofágico. Com isso, pode ocorrer o escape de ácido para o esôfago, o que desencadeia a azia; 2,4,6
- evitar comer pouco antes de dormir, já que deitar facilita o retorno do ácido pela garganta. O recomendável é fazer a última refeição cerca de duas ou três horas antes de ir para a cama; 2,4
- banir o cigarro porque o fumo também enfraquece a ação do esfíncter esofágico e estimula o refluxo do ácido gástrico; 2,4
- minimizar o estresse e investir em atividades que aliviam a tensão como meditação, ioga ou exercícios regulares; 4
- elevar a cabeceira da cama de 15 a 20 cm também pode contribuir para que o ácido não suba de volta ao esôfago enquanto você dorme. 4
Ou seja, ter uma alimentação balanceada e um estilo de vida saudável faz toda a diferença para gerenciar a quantidade de ácido no estômago. O resultado é a garantia de bem-estar após as refeições e prevenção contra desconfortos que afetam o dia a dia, como azia e má-digestão.
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Sobre o autor
Dr. Márcio de Queiroz Elias
Trabalha na indústria Farmacêutica desde os anos 2000, vindo a atuar nas áreas de Saúde Feminina, Consumer Health, Clínica Geral, Pediatria, Dor e Inflamaç