Via de regra, a frase “meu intestino não funciona direito” significa “meu intestino não funciona todos os dias”, o que seria o esperado em um organismo saudável. Ir ao banheiro dia sim, dia não, não é o ideal. O que dizer então de ficar vários dias sem eliminar o que o corpo já considerou dispensável?

Todos os alimentos ingeridos, depois de passarem pelo processo de digestão e absorção, geram resíduos, que precisam ser eliminados. As fibras são as únicas que não passam por esses processos, permanecendo o tempo todo dentro do intestino para dar volume e consistência às fezes, acelerando e facilitando o trânsito intestinal. Esse efeito é ainda maior se houver uma boa ingestão de água.

Assim, fica fácil entender porque uma alimentação com quase nada de fibras é praticamente sinônimo de prisão de ventre.

Vida agitada, com várias atividades ao mesmo tempo, nos distancia cada vez mais de uma alimentação fresca e variada – rica em cereais integrais, feijões e hortaliças – feita com calma e em ambiente agradável.

Refeições rápidas e prontas, compostas por carboidratos refinados e pouca ou nenhuma fibra, fazem parte da vida de muita gente. Soma-se a isso uma baixa ingestão de líquidos “do bem” (porque refrigerante, mesmo que seja zero, e sucos light não contam!) e sedentarismo para teremos a fórmula básica do intestino preso.

Mudar a demanda externa talvez não seja possível. Mas certamente estabelecer rotinas internas mais saudáveis, priorizando a alimentação e a atividade física, é uma excelente escolha. Pode levar um tempo para fazer os ajustes, mas vale a pena insistir, pois os benefícios compensam.

Assim, quais mudanças devem ser feitas na alimentação que de fato beneficiarão o funcionamento do intestino?

O que evitar?

• Alimentos refinados, como arroz, pão, biscoitos e massas feitos com farinha branca, que contêm basicamente amido e são pobres em vitaminas, minerais e, especialmente, fibras;

• Doces, salgadinhos, bolachas, refrigerantes e outros alimentos muito processados;

• Excesso de sal, gorduras (especialmente a trans), açúcar e café;

• Consumo elevado de carnes e seus derivados (embutidos). A recomendação para ingestão de carnes, de acordo com o Ministério da Saúde, é uma porção ao dia, de cerca de 100g, o que equivale a um bife do tamanho da palma da mão e da espessura do dedo mínimo. Essa única porção engloba carne de todos os tipos (vaca, frango, peixe, porco, carnes de caça, etc.), embutidos (salsicha, linguiça, peito de peru, salame, etc.) e ovos.

Com exceção do primeiro item (alimentos refinados), todos os demais alteram a acidez intestinal e consequentemente sua flora bacteriana protetora. A redução dessas bactérias traz consequências negativas para o sistema imunológico e reduz a absorção de nutrientes, especialmente de minerais. Isso abre uma porta para a entrada de doenças das mais variadas, que vão desde a falta de ferro, passando por alergias, até o câncer.

E o que fazer?

• Optar pelas versões integrais dos vários alimentos, como arroz, massas, pães, biscoitos, bolos, etc. e variar o seu consumo;

• Consumir vegetais folhosos (rúcula, agrião, escarola, catalônia, almeirão, repolho, couve, etc.) nas principais refeições. E não vale 2 folhinhas de alface! São 2 xícaras de folhas cruas ou 1 de folhas cozidas. Não menos que isso;

• Comer pelo menos 3 frutas por dia, incluindo o bagaço e a casca sempre que possível;

• Aveia (prensada, em flocos ou em farelo/farinha) e linhaça (em grão ou moída) são grandes aliados no combate ao intestino preso. Duas colheres de sopa de cada uma, todos os dias, são de extrema valia;

• Sendo possível, incluir 1 porção de leguminosas (feijões de todos os tipo, grão-de-bico, lentilha, ervilha, fava, etc.) no dia a dia, pois além de conterem minerais importantes para o organismo, como o ferro e o zinco, são ricos em fibras;

• Beber água. No mínimo, 30 ml por quilo de peso. Por exemplo, para uma pessoa que pesa 70 kg, são necessários cerca de 2 litros de água ao longo do dia;

• Fazer alguma atividade física regularmente. Os benefícios sobre o funcionamento intestinal virão tanto da ação direta sobre a musculatura como da produção de hormônios, que indiretamente auxiliarão a movimentação intestinal.

Faltou falar da falta de tempo (e às vezes de paciência), outro fator que atrapalha o funcionamento do intestino, associado ou não com a postergação da evacuação, especialmente quando a pessoa está fora de casa. Isso é muito comum entre as mulheres, que são muito mais sensíveis a usar um banheiro que não seja o da própria casa.

Nesse caso, “educar” o intestino para funcionar em determinada hora é a melhor forma de lidar com a questão. É sentar e ficar, todos os dias, na mesma hora, até o intestino entender que é hora de funcionar. Mas essa dica não resolve se as sugestões acima, sobre alimentação, não forem consideradas.

Outros fatores também podem contribuir para o intestino ficar preguiçoso, como estresse, depressão/ansiedade ou problemas de saúde, como doenças intestinais e da tireoide. A redução do estresse é algo que podemos, ao menos tentar, gerenciar sozinhos. As demais situações requerem acompanhamento médico especializado.


Por: Ana Ceregatti - CRN-3 4816
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