A gravidez é um período da vida da mulher que envolve muitas alegrias e várias dúvidas, especialmente se for o primeiro filho. Em conversas entre gestantes, são queixas comuns inchaço nas pernas, azia constante e prisão de ventre. Não necessariamente nessa ordem.

Mas a constipação intestinal (nome científico da prisão de ventre) não visita todas as grávidas. Segundo uma pesquisa realizada em 2007 na Santa Casa de São Paulo, apenas 1 em cada 4 gestantes reclamam do intestino preguiçoso.

A combinação de alguns fatores favorece um trânsito intestinal mais lento nessa fase da vida, como a presença de vários hormônios na circulação sanguínea e o uso de certos medicamentos, como por exemplo, suplementos contendo ferro, recomendado para maioria das grávidas.

Mas é importante lembrar que a nossa alimentação, culturalmente muito rica em alimentos refinados, processados e muito pobre em frutas, verduras e legumes, favorece por si só o desenvolvimento do intestino preso antes mesmo da gravidez acontecer, sendo potencializado pela ausência ou irregularidade na prática de exercícios físicos e pela baixa ingestão de água.

Assim, ao engravidar, o intestino, que já não funcionava bem devido a um estilo de vida pouco saudável, acaba piorando pela presença natural de alguns hormônios, que relaxam a musculatura da região, pela própria presença do bebê, que vai comprimindo o tubo digestório à medida que cresce, e pelo uso de suplementos contendo ferro.

Com a mobilidade intestinal reduzida devido a esses fatores, o caminho das fezes até a eliminação fica mais lento, aumentando a absorção de água, deixando-as mais endurecidas e um pouco mais difíceis de serem eliminadas.

Porém, se isso ocorrer em uma mulher que tem um hábito alimentar saudável, com boa ingestão de alimentos fontes de fibras, que bebe água e que se exercita regularmente, as chances de desenvolver prisão de ventre ficam muito menores.

Portanto, se não há como modificar a natureza, retirando esses hormônios relaxantes da circulação, o jeito é ajustar os hábitos de vida. Além disso, se alguns medicamentos, como o suplemento contendo ferro, também estiverem contribuindo para o mau funcionamento intestinal, basta conversar com o médico e avaliar a possibilidade de trocar o produto.

Dicas que favorecem o funcionamento do intestino:

• Substitua alimentos refinados, como arroz, pães, macarrão, bolos e biscoitos, pelas suas versões integrais;

• Inclua pelo menos 2 porções de vegetais de folhas verdes (especialmente as escuras, que são mais ricas em cálcio), como rúcula, agrião, escarola, catalônia, almeirão, couve, repolho, etc., nas principais refeições. Uma porção equivale a 2 xícaras de folhas cruas ou 1 de folhas cozidas;

• Prefira as frutas onde seja possível comer a casca e o bagaço, que são as partes mais ricas em fibras que favorecem o aumento do volume das fezes;

• Consuma aveia (prensada, em flocos ou em farelo/farinha) e linhaça (em grão ou moída). São duas colheres de sopa de cada uma, todos os dias, sobre frutas, salada, sucos, sopas ou onde o seu paladar desejar. Além de serem ricas em fibras, são ricas em vitaminas e minerais, como o cálcio e o ferro, importantíssimos nessa fase da vida;

• Não fique mais de 3 horas sem se alimentar. Entre as 3 principais refeições do dia (café da manhã, almoço e jantar), inclua pelo menos 2 lanches contendo frutas (frescas ou secas), castanhas e/ou granola, pães, bolos e biscoitos integrais;

• Cuidado com a ingestão excessiva de carnes. Apesar de serem fontes de proteína, vitaminas e minerais, seu consumo além do recomendado favorece o desenvolvimento da constipação intestinal. Para garantir uma boa oferta de proteínas, vitaminas, minerais e de fibras (pois as carnes não são fontes de fibras!), consuma no mínimo 2 porções (cerca de 1 xícara) de alimentos do grupo dos feijões (feijão de todos os tipos, ervilha, grão-de-bico, lentilha, etc.);

• Cuidado também com o consumo excessivo de leite e derivados. Apesar de serem fontes de cálcio, a ingestão exagerada favorece o desenvolvimento de gases, piora a azia e pode até enfraquecer os ossos. Como nessa fase a necessidade de cálcio está aumentada, procure consumir alimentos como brócolis, couve, escarola, rúcula, agrião, amêndoas, gergelim e tofu, que são excelentes fontes vegetais desse mineral;

• Evite o consumo de doces, salgadinhos e refeições semiprontas. Sempre que possível, alimente-se em casa, pois é mais fácil controlar a escolha dos alimentos;

• Cuide da ingestão de líquidos, especialmente de água e de sucos naturais, evitando refrigerantes e sucos prontos;

• Se estiver tudo bem com você e com o bebê e o médico autorizar, faça alguma atividade física regularmente, como caminhada, yoga, hidroginástica, etc.


Por: Ana Ceregatti - CRN-3 4816
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